Uso do bom senso não poda criatividade
Célia Baroni
As cores fazem parte da vida. Desde cedo aprendemos a perceber a beleza e o perigo através delas. A natureza faz isto o tempo todo. A luz nos dá esperança porque permite que enxerguemos novas cores e possibilidades - por isto ansiamos sempre pela luz no final do túnel e um futuro azul. A escuridão (preto) nos traz incertezas - por isto ninguém quer um um futuro preto ou um dia cinzento. Portanto, nada mais normal que a tendência cada vez mais forte de levar para dentro dos ambientes o bem-estar que as cores fazem.
Usar cores nas paredes, transformando-as em importante elemento de decoração para criar nos ambientes o clima desejado, é moda antiga. A descoberta do uso das cores para energização dos espaços já fazia parte da cultura chinesa há 3 mil anos. Naquela época, a filosofia Feng Shui já sinalizava a harmonização de ambientes a partir do trabalho com as cores. Defendia que, para ter equilíbrio, cada cômodo tivesse todas as cores representantes dos cinco elementos fundamentais do universo: madeira, fogo, terra, metal e água.
Mas a liberdade de pintar e bordar as paredes internas da casa é uma novidade recente. Para alegria da casa, finalmente quebrou-se o monopólio do branco, antes obrigatório em praticamente todos os ambientes internos.A mudança ganhou ainda mais força com o avanço da tecnologia da produção de tintas que passou a oferecer uma gama cada vez maior de tonalidades disponíveis nas mais variadas cores e texturas.
Mesmo com todo o apoio da tecnologia e aceitação cultural, ainda é difícil ousar. Sabemos quais as cores de que gostamos, mas nunca temos certeza de que ela ficará boa na nossa sala ou quarto. Ousar dá um certo medo, mas vale a pena desde que a pessoa use de bom senso, afirma a artista plástica Silvana Bertan. Ela garante que todos temos uma noção do que é básico reforçada pelas informações abundantes veiculadas pelos meios de comunicação voltados para a decoração de ambientes.
Silvana lembra, por exemplo, que os tons claros são ideais para ambientes pequenos porque ajudam a dão a impressão de amplitude e leveza. Isto não quer dizer que não se possa pintar uma parede ou outra em tons escuros. Pode ficar bonito, mas a pessoa tem de lembrar que o ambiente parecerá menor do que é realmente, diz. Os tons escuros, acrescenta, têm de ser usados com parcimônia mesmo em cômodos grandes porque resultam sempre em um ambiente mais pesado e cansam a vista.
O primeiro passo para não se arrepender e odiar o resultado é pintar o cômodo com uma cor bem clara para visualizar qual a cor que melhor combinaria com a sua decoração. Escolhida a cor, diz a artista plástica, o ideal é testar as tonalidades possíveis e escolher a que mais gostar. Hoje a maioria das casas de tinta tem máquinas capazes de misturar as cores até chegar a tonalidade desejada pelo cliente, orienta.
Detalhes em branco (gesso e molduras de parede) são sempre bem vindos, tanto em paredes escuras quanto nas de cores pastel porque destacam a parede e servem de contraponto quebrando a rigidez das cores mais fortes. Não existem cores da moda nem regras de combinação entre elas, mas Silvana Bertan orienta que os tons claros são sempre uma boa opção para quem não quer ousar. O risco é a pessoa ficar decepcionada e achar que a mudança foi pequena demais.
A iluminação e a decoração são importantíssimos na hora de escolher a cor ou as cores da parede. Se o local tiver sofás, poltronas e tapetes em cores fortes, é mais indicado optar por um tom neutro para as paredes, como cru ou marfim. O uso de muitas cores em um mesmo ambiente faz aumentar as chances do dono da casa se cansar da decoração. Dificilmente a cor da sua parede será a mesma da amostra que você viu na loja. A aparência das cores muda conforme a iluminação do ambiente. Faça um teste: pinte apenas parte da parede e veja se o resultado é o que você esperava.Tons claros ainda são os mais indicados para ambientes de qualquer tamanho, mas ousadias com cores fortes também trazem ótimos resultados
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