A utilização da terra crua está chamando a atenção de arquitetos pelo baixo custo e facilidade de execução. Além disso, o material é visto como uma solução ecológica para uma crise energética por evitar o consumo de combustível. Como o barro não é queimado, não há necessidade do emprego de carvão. E como a terra é retirada no local da construção, não há queima de combustível com transporte.
ReproduçãoA arquiteta mineira Maria Auxiliadora de Alvarenga, da ABCTerra, assina o projeto desse sobradinho erguido com blocos de adobe‘‘Com a terra crua é possível fazer desde casas até castelos. Se a execução for feita de maneira correta e receber o tratamento adequado, pode durar séculos. Para tanto, exige beirais largos e fundação acima do piso’’, comenta o arquiteto Feliciandre Brenag, recém-formado no Centro de Estudos Superiores de Londrina, o Cesulon.
Brenag escolheu trabalhar com o barro em seu texto de encerramento de curso, mas esbarrou na dificuldade de informações sobre o assunto. ‘‘Praticamente não existe pesquisa sobre isso no Paraná; só vi na Universidade de São Carlos, em São Paulo. Como se trata de um material barato, não é um bom negócio para as construtoras, mas a nível social sua utilização seria muito interessante’’, assegura Brenag. O arquiteto foi convidado para erigir uma capela em taipa de pilão em Londrina.
Países com tradição na busca de tecnologias que não agridam o meio ambiente como Alemanha, França, Itália, Portugal e alguns estados dos EUA, como Califórnia e Novo México e a região da Escandinávia já incorporaram a utilização da terra crua nas construções. ’’ No Brasil, entretanto, o assunto ainda é pouco difundido, apesar do trabalho da ABCTerra- Associação Brasileira dos Construtores com Terra. A organização sem fins lucrativos, vem trabalhando no sentido de divulgar, incentivar e promover o desenvolvimento da arquitetura com terra crua no país.
De acordo com Letícia Achcar, arquiteta vinculada à ABCTerra, as construções que têm a terra como matéria-prima são muito mais duráveis do que as construções comuns. Mas a sua durabilidade, alerta a arquiteta, está vinculada diretamente a uma construção realizada dentro da normatização de técnicas em terra crua, como fundação alta, com 30 centímetros acima do solo, por exemplo.
ReproduçãoEcohause, em Norrkoping, Suécia: projeto de Letícia Achcar‘‘A durabilidade das construções em terra crua podem ser comprovadas nos patrimônios históricos brasileiros’’, afirma a arquiteta. O conforto é outra grande vantagem. As casas construídas com terra são muito mais salutares e agradáveis para o homem. Por se tratar de um material termo acústico ela garante o bem-estar dos moradores.
‘‘A terra crua mantém a umidade relativa do ar e mantém o ambiente fresco durante o dia e quente a noite’’, explica a arquiteta. Isto acontece porque a terra absorve e isola o calor emitido pelos raios de sol. A noite como não mais a incidência dos raios solares, o calor começa a ser liberado. No inverno basta aquecer um pouco o ambiente, com uma lareira, por exemplo, para que o calor seja absorvido.
Esteticamente oferece muitas possibilidades de criação. Por se tratar de um material muito plástico, a terra crua permite que se consiga uma infinidade de formas, colorações e texturas. Todas as vantagens deste material não oneram a construção, que tem o valor equivalente a uma construção normal.
(Colaborou Ranulfo Pedreiro)

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