Unidade experimental da USP mostra soluções construtivas
Agência Folha
De São Paulo
Se tudo hoje em dia ganha uma versão 2000, ou um aposto do novo milênio, por que seria diferente com o modo de morar? Uma das respostas possíveis, a Unidade de Habitação Experimental 001, pode ser visitada até 3 de março no campus da Universidade de São Paulo em São Carlos.
É de lá que vem um grupo multidisciplinar chamado GHab (Grupo de Pesquisa em Habitação), que estuda o espaço da casa hoje em dia, novos materiais e soluções construtivas. O GHab que, para pensar na casa do futuro, tem verba da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo também é ligado ao departamento de arquitetura e urbanismo da a Universidade Federal de São Carlos (Ufscar).
O arquiteto Marcelo Tramontano, 40, coordenador do GHab explica que a casa do novo milênio é a mais flexível possível. Pelas pesquisas do grupo, as pessoas buscam espaços que sirvam a usos variados, amplos para a convivência em família e com os amigos, e áreas individuais de maior privacidade, se possível com acessos independentes.
Assim, não se fala em quarto e sala. Fala-se em áreas de serviço banheiro, cozinha, ou seja, as áreas equipadas e áreas servidas as que não têm equipamentos fixos e às quais pode ser dada a função que se desejar, de acordo com quem vai morar na casa.
A unidade exposta em São Carlos mostra quatro dessas áreas, que poderiam ser vistas como dois quartos, sala e sala de jantar. Áreas servidas e áreas de serviço ficam em blocos separados, de aparência diferente, conectados por passarelas no primeiro e no segundo pisos e por uma passagem no térreo.
Unindo os dois blocos, uma caixa translúcida, feita de fibra de vidro. O espaço resultante não tem nada de corredor. Seria, quando muito, algo parecido com um jardim de inverno, com um pé-direito triplo, com portas sanfonadas, de onde se vê todo o resto da casa.
O grupo também se preocupou em usar materiais de baixo custo e ecologicamente corretos. A estrutura e a cobertura são de madeira de reflorestamento; as paredes, de taipa de mão uma massa de terra crua aplicada sobre um tramado de palha, que já vem trançada para o canteiro de obras.
Pré-fabricação, aliás, é outra das premissas dos estudiosos do GHab. Além de tornar a construção mais rápida e eficiente para a execução do protótipo, foi chamado um construtor da Bélgica, que em cinco dias pôs a estrutura de pé permite o rearranjo das peças, obtendo caras diferentes.
A unidade 001 é, na verdade, a segunda a ser construída pelo GHab. A primeira a 002 data de 98. A numeração é invertida por um motivo prosaico: a primeira fica mais para o fundo do terreno; a nova, mais à frente.
Na 002, foi montada uma livraria para as publicações do GHab, onde há por exemplo, manuais para construção em terra crua. Os títulos também estão à venda no site www.eesc.sc.usp.br/ghab.
Junto às casas foi montada uma mostra, que já esteve em São Paulo, na 4ª Bienal Internacional de Arquitetura, e que conta a história da 001 e da 002. Mais informações pelo tel. 0/**/16/271-1133.





