Uma nova solução estética na arquitetura médica
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de agosto de 2003
Telma Elorza<br> Reportagem Local 
Pessoas com necessidades especiais, principalmente de locomoção, enfrentam vários problemas no dia-a-dia urbano, com obstáculos que atrapalham seu deslocamento. Às vezes, esses obstáculos estão até em áreas que deveriam permitir um livre acesso, como clínicas médicas e de reabilitação. Isso acontece geralmente em imóveis que foram apenas adaptados para as novas funções. Soluções alternativas como rampas, por exemplo, acabam ocasionando perda de espaço e prejudicando o resultado estético.
Foi pensando nisso que a empresária Sirlei Moreli e a fisioterapeuta e pesquisadora do movimento Isabel Cristina Vicente de Rezende resolveram construir, em Londrina, um centro de reabilitação e estética totalmente concebido para proporcionar o fácil acesso à pessoas com essas necessidades especiais, ao mesmo tempo criando um espaço confortável e bonito, sem nenhuma característica hospitalar.
As duas sócias encarregaram as arquitetas Andréa Marroni Cavatorta e Rita de Cássia Rezende Carmona de criarem um espaço que pudesse unir, em um só local, várias técnicas e profissionais. Assim surgiu o L'acor Centro de Reabilitação e Estética, inaugurado em junho passado.
De acordo com as arquitetas, é um novo conceito em Londrina, um espaço único criado para tratar o indivíduo como um todo, um centro interdisciplinar que tem como objetivo a saúde total - física, motora, emocional e mental - ao mesmo tempo que a alia à beleza e o bem-estar geral. ''A Isabel e a Sirlei nos propuseram um desafio: um projeto específico que atendesse esse público com necessidades especiais ao mesmo tempo que também permitisse a instalação de um espaço voltado para a estética'', conta Rita Carmona.
Segundo ela, o primeiro diferencial do projeto começou na escolha do terreno. Normalmente é o terreno que vai determinar o tipo do projeto. Aqui, foi o contrário, diz. A arquiteta explica que foram pesquisados vários espaços - que permitissem a instalação de uma obra totalmente térrea, sem nenhum tipo de degrau ou obstáculo - até chegar a área ideal, na Avenida Adhemar de Barros, no Jardim Bela Suíça (zona sul).
Outros diferenciais foram o tempo e a pesquisa envolvidas na concepção do projeto. Segundo Andréa, dos contatos iniciais até o começo da execução da obra, foram gastos seis meses. ''Nós tivemos que buscar soluções que não existiam em Londrina já que o centro iria oferecer atividades tão diversas como fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, nutrição, academia, piscinas, entre outras, cada uma com sua especificidade de trabalho'', diz.
De acordo com ela, cada profissional envolvido foi entrevistado para que as arquitetas tivessem a noção exata do seu modo de trabalhar. ''Precisávamos saber, por exemplo, se a psicóloga trabalhava com divã ou não, quais e quantos aparelhos a academia teria, entre outros detalhes, para que todos pudessem ser atendidos de acordo a necessidade, sem o espaço acabasse prejudicando as atividades'', conta.
De modo geral, as arquitetas adoraram o desafio e o resultado. ''A cidade nunca viu um espaço como esse. Algumas soluções até podem ser encontradas em algumas clínicas. Mas nada tão completo em um único lugar'', afirma Rita.


