Uma casa diferente, uma nova sociedade
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de fevereiro de 1999
Marcelo Tramontano 
O perfil da sociedade brasileira mudou muito nos últimos 40 anos. Diversos fatores (de ordem demográfica, social, econômica, cultural, ideológica) alteraram a estrutura familiar, social e também a estrutura da casa.
A entrada dos meios de comunicação no espaço da habitação, desde o telefone e a televisão até o fax e os terminais informatizados, produziu mudanças nos hábitos e comportamentos: a casa não é mais uma ilha, passou a ser também o local de trabalho e de lazer. Tendência que ganhou vida na década e promete continuar forte na entrada do novo século.
Mas, mesmo com esta significativa mudança, as habitações continuam as mesmas, baseadas no modelo burguês parisiense do século 19. As áreas ainda são classificadas em social, íntima e de serviço. Nenhuma novidade nesta divisão.
As propostas de novos espaços de habitar tendem a contribuir para o esboço de uma nova cultura urbana, que deverá abranger novas estruturas e necessidades familiares. Células familiares cada vez menores e mais individualizadas estão entre as características deste novo perfil.
Hoje já se pode notar o surgimento de novas formulações de antigos conceitos, como o da flexibilização de espaços, por exemplo. Que permite modificar estruturas antes fadadas a parecer e ser iguais.
Mas tudo isto ainda é muito pouco. Para que um novo desenho doméstico seja concretizado é necessário um esforço conjunto de arquitetos, construtores e investimentos, elaborando projetos que se tornem alternativas plausíveis aos modelos vigentes, mais bem adequadas aos novos modos de vida da sociedade. É preciso considerar a nova família, a nova casa e até mesmo os novos tempos.
Para isso, é preciso incentivar todos os membros da cadeia produtiva habitacional, indicando a existência de uma enorme demanda potencial. É preciso investir em informação, quer seja sobre novas tendências, materiais ou estilos.
Aos Arquitetos e Decoradores cabe estar atento às transformações cada vez mais intensas e profundas da sociedade. Sejam elas de ordem sociais, culturais, econômicas ou ecológicas, nada disto importa. O que importa mesmo é que serão os arquitetos e decoradores que irão projetar, concretizar e dar vida a este novo projeto de moradia.
Marcelo Tramontano, é professor do Depto. de Arquitetura e Urbanismo da USP/São Carlos


