Parece estranho, mas na prática, a construção de um imóvel começa pelo papel. É claro que, na teoria, os sonhos de consumo de cada um já definiram há muito tempo como será a fachada da casa, os quartos, a área de lazer e todos os demais ambientes. Porém, as idéias precisam ser metodicamente desenhadas e alinhadas por um profissional. É nesse ponto que entra o arquiteto. Ele tem o objetivo de compreender os desejos de seus clientes e analisar o que pode ou não ser realizado.
Um projeto arquitetônico oferece praticidade e, se bem elaborado, como adiantam os profissionais, é um ótimo investimento e não apenas uma despesa. Sai bem mais barato mudar uma parede no papel do que derrubá-la depois de construída, cita como exemplo, o arquiteto Clóvis Bohrer, de Londrina. Ele destaca a necessidade de planejamento, pontuando que as pessoas não têm esse hábito. Segundo ele, vale a pena gastar tempo e recursos valorizando a parte de planejamento para ter idéia da casa tanto na parte externa quanto interna.
''A arquitetura é um processo proporcionado'', afirma Bohrer. A explicação é bastante simples: é preciso ter harmonia entre as áreas de lazer, social, íntima e de serviço. ''Não adianta ter cinco suítes na casa e uma área de serviço minúscula. Isso vai ser totalmente desproporcional'', exemplifica o arquiteto.
O presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura-Regional Paraná (Asbea-PR), Adolfo Fakaguti, acrescenta que o arquiteto cuida de colocar no papel as idéias e desejos dos clientes. Todos os detalhes, no entanto, devem ser analisados e discutidos para que o projeto não fique mal elaborado.
O tempo de desenvolvimento de um projeto, bem como o custo desse trabalho, depende de vários fatores, entre eles, o tamanho do imóvel, o sistema de construção e a facilidade de comunicação entre o profissional e o cliente. ''O bom projeto se paga. É difícil às vezes perceber, mas quando o projeto começa no papel muitos desperdícios podem ser evitados'', argumenta Fakaguti.
Na opinião de Bohrer existe dois tipos de clientes - o habituado com os projetos e os não habituados. Os primeiros se destacam como um grupo de fácil tratamento. Geralmente são grandes construtores e incorporadores que sabem da importância do trabalho de um projetista. ''Esse cliente tem uma relação racional e objetiva, e podemos entregar o projeto baseado em números e percentual de mercado'', salienta.
Já os clientes não habituados são mais difíceis de entender a necessidade e a importância de um projeto. ''A gente também tem que ser um pouco psicólogo para ouvir e interpretar os desejos de cada um'', conta Bohrer. O arquiteto diz que acontece muitas vezes do cliente estar pedindo uma coisa que não faz parte do estilo de vida dele e que é completamente inviável no sentido prático.
Para diminuir esses problemas os arquitetos contam com um roteiro para entrevistas que ajuda a montar o perfil do cliente e a elaborar um programa de desenvolvimento do projeto. Ele destaca que a maioria das pessoas valorizam e dão um destaque maior para a fachada da residência, assim como as áreas de lazer e social.

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