Um toque de classe no contemporâneo
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de junho de 2002
Célia Guerra<BR>Reportagem Local 
A decoração clássica dos castelos franceses e ingleses dos séculos XVII e XVIII dentro da sua casa. Ou pelo menos parte dela, com a volta do acabamento em boiserie. O ambiente ganha a base clássica da decoração nas paredes associada ao ar despojado do mobiliário contemporâneo.
Boiserie, como explica o arquiteto Roberto Migotto, de São Paulo (SP), é uma palavra francesa utilizada para designar entalhe ou molduras de madeira, desde o mais simples até o mais elaborado, que ornamentam portas, paredes ou móveis. O arquiteto diz ainda que ela pode ser executada em outros materiais, como o gesso. Migotto revestiu com esta técnica as paredes do apartamento Casal Sênior da Casa Cor 2002, que se realiza na capital paulista até o dia 9 de julho.
A técnica, na opinião do arquiteto Guilherme Torres, de Londrina, voltou para acalmar o estilo contemporâneo. Ela dá um ar de tradição e sofisticação ao ambiente, resume. Em ambientes de circulação a boiserie, como exemplifica Torres, preenche o espaço sem o volume dos móveis. O revestimento permite ainda corrigir defeitos da parede.
No espaço da Casa Cor a boiserie, de acordo com Migotto, enriqueceu as paredes altas 4,5 metros com trabalho de baixos relevos. O processo pode ser aplicado em paredes baixas e meias paredes. Nesse caso, alerta o arquiteto, é preciso ter cuidado com a proporção dos detalhes para se atingir um bom resultado.
Guilherme Torres, por exemplo, aplicou meia parede de boiserie no hall de entrada de um apartamento que está decorando. O local serve também de corredor de ligação entre as salas de jantar e estar. Como material ele optou pelo gesso, pois já o utilizava na correção de colunas e vigas. A combinação está ficando agradável aos olhos. A finalização da decoração depende agora dos móveis.
Os dois arquitetos são categóricos quando dizem que a cor ideal para a boiserie é o branco e os tons de off white. A ousadia das cores fica por conta do mobiliário e dos tecidos, orienta Torres.
Para o arquiteto de Londrina a boiserie permite uma criação atemporal. Pois para ele a decoração não deve privilegiar modismos, e sim contar histórias. Qualquer mudança pode ser feita apenas com a troca de acessórios.


