Londrina - Planejar uma construção que tenha o máximo de aproveitamento dos elementos naturais, construída até mesmo com material reciclado. O laboratório de Desempenho de Edificações do Centro de Tecnologia e Urbanização (CTU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) está trabalhando para alcançar esse objetivo. Foi do laboratório, ligado ao departamento de construção civil, que surgiu o protótipo construído no campus da universidade em 1998.
A casa, projetada com 49 metros quadrados e erigida em blocos cerâmicos, foi parte de uma pesquisa que analisou o desempenho térmico de quatro residências populares. Cada uma recebeu paredes com materiais diferentes. E a unidade experimental, com um total de entradas de ar (janelas, portas) equivalente a 20% da área de superfície, mostrou que, gastando pouco, mas de forma inteligente, uma família pode ter uma residência bem agradável, com circulação de ar incessante e uma pequena diferença entre temperaturas altas e baixas. A construção conserva mais calor no inverno, e frescor no verão.
''Estamos apostando numa concepção de habitação popular que tem como principal meta a qualidade de vida'', diz a professora Miriam Jerônimo Barbosa, coordenadora do laboratório. Os bons resultados já estão abrindo caminhos com outros projetos. Junto com o curso de Agronomia, o laboratório vai desenvolver casas populares adaptadas para a área rural, que serão instaladas na Fazenda Escola da UEL. Em vários aspectos, elas serão auto-sustentáveis: aproveitarão a energia solar, a água da chuva e mesmo os resíduos domésticos.
A professora explica que a água da chuva será coletada e utilizada para serviços gerais, como limpeza de piso ou irrigação do jardim, e mesmo para a descarga do banheiro. Já o lixo doméstico será armazenado e transformado em gás natural, para alimentar o fogão da casa. ''Queremos observar se os moradores conseguem inserir o uso dessas novas ferramentas ao seu cotidiano'', salienta Miriam.
A casa popular auto-sustentável pode render ainda outros frutos. O laboratório irá colaborar com um projeto do departamento de Energia Elétrica da UEL. O desafio: construir e analisar o desempenho de uma casa feita com materiais reciclados. Blocos elaborados com garrafas PET, e mesmo restos de pneus misturados com agregados, serão usados para erguer paredes da habitação popular.
Na teoria, esses novos desafios estão adiantados. Na prática, porém, a professora afirma que, enquanto não surgirem recursos e parcerias, o ritmo de pesquisa será lento. ''Se conseguirmos empresas interessadas em colaborar, seja com os painéis de energia solar, ou com instalação hidráulica, por exemplo, poderemos ter maior agilidade no trabalho'', acredita.

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