UEL cria projeto de construção barata
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de fevereiro de 1999
Ligia Barroso 
Um projeto de casa popular desenvolvido pelo Departamento de Arquitetura da Universidade Estadual de Londrina pode ser usado para diminuir o déficit habitacional na cidade. A novidade: o uso de bloco cerâmico estrutural que torna a construção mais barata e mais rápida. A moradia de baixo custo foi desenvolvida sob a coordenação do professor Adauto Pereira Cardoso e 43 unidades habitacionais, nesse sistema, já foram construídas em assentamentos em Tamarana. É que o projeto inicial é de casa popular rural, explica o professor. Mas já estamos fazendo as adaptações necessárias para moradia urbana em protótipo construído no câmpus.
Arquiteto Adauto Pereira Cardoso: Este processo construtivo permite racionalizar no custo de material e ganhar no tempo da obraInteressada em fórmulas mais acessíveis à construção de casas para a população de baixa renda, a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), entrou em contato com a UEL para discutir o projeto, já apresentado, ano passado, também a profissionais técnicos e diretores da Superintendência Regional da Caixa Econômica Federal.
O presidente da Cohab Londrina, Assad Jannani, afirma que o resultado desta negociação pode ser uma grande parceria entre as duas instituições: Pelo que vi, o projeto apresenta alta qualidade para esse padrão de construção, diz. A idéia da Companhia de Habitação, que divulgou na semana passada a retomada dos projetos habitacionais no município após ter conseguido renegociar uma dívida de R$ 250 milhões com a Caixa, é construir até o final deste ano, 600 novas moradias populares na cidade. E continuaremos dando todo o suporte necessário para que o projeto piloto do Departamento de Arquitetura da UEL sirva de modelo, argumenta o reitor da Universidade de Londrina, Jackson Proença Testa.
Com 65 metros quadrados de área total, a casa tem um custo em torno de R$ 3 mil e pode ser construída em apenas 20 dias, no sistema de mutirão. Com o sistema tradicional de construção, o tempo é de 60 dias, diz o professor e arquiteto Adauto Cardoso. Ele conta que o projeto saiu da dissertação de mestrado que ele apresentou para a Universidade de São Paulo (USP), câmpus de São Carlos, em dezembro de 1995. Tinha que fazer um trabalho sobre processo construtivo racionalizado.
Com os blocos estruturais a casa pode ser construída em apenas 20 diasOs ensaios do projeto começaram a ser feitos em 1992. A casa tem 12 blocos estruturais, que dispensam caixaria e pilares. Os sistemas hidráulico e elétrico também são embutidos no bloco. Baseado no tamanho do tijolinho à vista, o bloco cerâmico também não requer revestimento. Segundo Cardoso, a UEL adaptou os blocos grandes existentes no mercado para tornar mais racional a construção. O uso de madeira de reflorestamento também ajuda a baratear o projeto - para isso, foi utilizado o trabalho de doutorado (apresentando na França) de outro professor da Universidade de Londrina, Jorge Daniel.
A diferença da casa rural (protótipo do projeto inicial construído no primeiro semestre do ano passado na Fazenda Escola da Universidade) para a urbana está nas características arquitetônicas. A casa rural tem varanda e uma disposição diferente dos cômodos. Muitas têm fogão à lenha. O assessor de Planejamento e Controle da UEL, Marcos Barnabé, é quem está coordenando os estudos para a casa popular urbana.
Segundo ele, a distinção entre as atividades rurais e urbanas é levada em conta num projeto como esse. Assim como o tamanho do terreno, pois uma construção no campo não encontra a limitação do lote urbano, nem problema para posicionar a casa em relação ao vento e à insolação, argumenta Barnabé, também arquiteto.
Todas as diferenças têm que ser levadas em conta para que o projeto atenda às necessidades do morador, seja ele do campo ou da cidade. Barnabé diz, por exemplo, que também é diferente construir uma casa na zona rural para um morador da cidade, que já incorporou hábitos urbanos.
Para interessados nesse projeto, como foi o caso de Tamarana e onde está sendo construída, também neste sistema, uma escola com área de 460 metros quadrados, a UEL firma convênios, desenvolve o projeto arquitetônico e repassa a tecnologia. Além da CEF e Cohab, também a Cohapar já visitou o protótipo da casa popular rural construída na Fazenda Escola da UEL.
Já iniciamos os primeiros entendimentos com a Secretaria Municipal de Educação, comenta o assessor de Planejamento e Controle da UEL. Segundo Marcos Barnabé, o projeto despertou interesse do secretário londrinense, Dorival Peres: a idéia é utilizar este sistema para a construção de algumas unidades escolares, necessárias para o ensino de 1º grau. (Colaborou Carina Pacola)


