Um projeto de casa popular desenvolvido pelo Departamento de Arquitetura da Universidade Estadual de Londrina pode ser usado para diminuir o déficit habitacional na cidade. A novidade: o uso de bloco cerâmico estrutural que torna a construção mais barata e mais rápida. A moradia de baixo custo foi desenvolvida sob a coordenação do professor Adauto Pereira Cardoso e 43 unidades habitacionais, nesse sistema, já foram construídas em assentamentos em Tamarana. ‘‘É que o projeto inicial é de casa popular rural’’, explica o professor. ‘‘Mas já estamos fazendo as adaptações necessárias para moradia urbana em protótipo construído no câmpus.’’
Arquiteto Adauto Pereira Cardoso: ‘‘Este processo construtivo permite racionalizar no custo de material e ganhar no tempo da obra’’Interessada em fórmulas mais acessíveis à construção de casas para a população de baixa renda, a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), entrou em contato com a UEL para discutir o projeto, já apresentado, ano passado, também a profissionais técnicos e diretores da Superintendência Regional da Caixa Econômica Federal.
O presidente da Cohab Londrina, Assad Jannani, afirma que o resultado desta negociação pode ser uma grande parceria entre as duas instituições: ‘‘Pelo que vi, o projeto apresenta alta qualidade para esse padrão de construção’’, diz. A idéia da Companhia de Habitação, que divulgou na semana passada a retomada dos projetos habitacionais no município após ter conseguido renegociar uma dívida de R$ 250 milhões com a Caixa, é construir até o final deste ano, 600 novas moradias populares na cidade. ‘‘E continuaremos dando todo o suporte necessário para que o projeto piloto do Departamento de Arquitetura da UEL sirva de modelo’’, argumenta o reitor da Universidade de Londrina, Jackson Proença Testa.
Com 65 metros quadrados de área total, a casa tem um custo em torno de R$ 3 mil e pode ser construída em apenas 20 dias, no sistema de mutirão. ‘‘Com o sistema tradicional de construção, o tempo é de 60 dias’’, diz o professor e arquiteto Adauto Cardoso. Ele conta que o projeto saiu da dissertação de mestrado que ele apresentou para a Universidade de São Paulo (USP), câmpus de São Carlos, em dezembro de 1995. ‘‘Tinha que fazer um trabalho sobre processo construtivo racionalizado.’’
Com os blocos estruturais a casa pode ser construída em apenas 20 diasOs ensaios do projeto começaram a ser feitos em 1992. A casa tem 12 blocos estruturais, que dispensam caixaria e pilares. Os sistemas hidráulico e elétrico também são embutidos no bloco. Baseado no tamanho do ‘‘tijolinho’’ à vista, o bloco cerâmico também não requer revestimento. Segundo Cardoso, a UEL adaptou os blocos grandes existentes no mercado para tornar mais racional a construção. O uso de madeira de reflorestamento também ajuda a baratear o projeto - para isso, foi utilizado o trabalho de doutorado (apresentando na França) de outro professor da Universidade de Londrina, Jorge Daniel.
A diferença da casa rural (protótipo do projeto inicial construído no primeiro semestre do ano passado na Fazenda Escola da Universidade) para a urbana está nas características arquitetônicas. A casa rural tem varanda e uma disposição diferente dos cômodos. Muitas têm fogão à lenha. O assessor de Planejamento e Controle da UEL, Marcos Barnabé, é quem está coordenando os estudos para a casa popular urbana.
Segundo ele, a distinção entre as atividades rurais e urbanas é levada em conta num projeto como esse. ‘‘Assim como o tamanho do terreno, pois uma construção no campo não encontra a limitação do lote urbano, nem problema para posicionar a casa em relação ao vento e à insolação’’, argumenta Barnabé, também arquiteto.
‘‘Todas as diferenças têm que ser levadas em conta para que o projeto atenda às necessidades do morador, seja ele do campo ou da cidade.’’ Barnabé diz, por exemplo, que também é diferente construir uma casa na zona rural para um morador da cidade, que já incorporou hábitos urbanos.
Para interessados nesse projeto, como foi o caso de Tamarana e onde está sendo construída, também neste sistema, uma escola com área de 460 metros quadrados, a UEL firma convênios, desenvolve o projeto arquitetônico e repassa a tecnologia. Além da CEF e Cohab, também a Cohapar já visitou o protótipo da casa popular rural construída na Fazenda Escola da UEL.
‘‘Já iniciamos os primeiros entendimentos com a Secretaria Municipal de Educação’’, comenta o assessor de Planejamento e Controle da UEL. Segundo Marcos Barnabé, o projeto despertou interesse do secretário londrinense, Dorival Peres: ‘‘a idéia é utilizar este sistema para a construção de algumas unidades escolares, necessárias para o ensino de 1º grau’’. (Colaborou Carina Pacola)

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