Turismo é o filão da virada do século
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sábado, 18 de outubro de 1997
Monica Venson Especial para a Folha Imobiliária 
Ney de SouzaDorothea Werneck, presidente do Excel Banco de InvestimentosA indústria da construção está descobrindo que o turismo é o grande filão de mercado neste final de século. A criação de parques temáticos, hotéis e resorts são algumas das novas oportunidades de negócios rentáveis para os dois setores. A Costa Oeste do Paraná, dentro desse panorama, entra no mercado como um dos grandes atrativos de investimentos na região.
Este foi o ponto central das discussões do 67º ENIC Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), realizado na quinta e sexta-feiras em Foz do Iguaçu. O evento contou com a presença de 600 participantes da indústria nacional.
Hoje, no setor de Turismo, os parques temáticos chegam movimentar recursos que variam entre R$ 30 milhões e R$ 150 milhões, com retorno de investimento previsto para seis anos. Para o presidente do Instituto Brasileiros de Parques Temáticos, Alain Baldaci, a construção desses parques chega ao Brasil de forma tardia, mas garante que o País já percebeu que este é um grande filão e vai seguir essa linha.
Baldaci afirma que atualmente o governo federal está incentivando o setor com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e a isenção do imposto de importação sobre equipamentos dos Parques Temáticos. Além disso, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) está destinando R$ 1 bilhão para financiamentos de projetos turísticos no setor privado.
Arquivo FolhaA região Oeste do Estado é um dos atrativos do setor
Em relação a Costa Oeste do Paraná, ele acredita que após os preparativos para os Jogos Mundiais da Natureza foi dado o pontapé inicial para viabilizar o desenvolvimento da região. A presidente do Excel Banco de Investimentos, Dorothea Werneck, diz que o projeto Costa Oeste tem grandes possibilidades de atrair investidores. Para ela, todo projeto que define e explora uma área específica de turismo, aproveitando as características da região, atrai investimentos concretos.
Dorothea diz que a questão mais importante para os setores de construção e turismo, é a tendência mundial das pessoas conseguirem uma carga horária de trabalho menor com um ganho real de salário. Na Europa as pessoas já estão trabalhando menos e ganhando mais, com isso, elas têm mais tempo para lazer e entretenimento e o setor de turismo brasileiro precisa oferecer opções para atender essas pessoas, justifica.
O Brasil recebeu, no ano passado, 2,25 milhões de turistas, gastando em média US$ 100 por dia. A estimativa, para o ano 2000, é que esse número dobre, chegando a quatro milhões de turistas por ano, afirma Doreothea. Segundo ela, para que isso realmente aconteça o Brasil, além de diversificar as opções de lazer, tem que melhorar a qualidade de atendimento e investir na construção de hotéis que ofereçam ao turista conforto e qualidade de atendimento a um preço acessível.
Essa expectativa de desenvolvimento no setor turístico está intimamente ligada ao setor imobiliário e da construção civil. Dorothea explica que quando se pensa na construção de parques temáticos, existe toda uma série de investimentos secundários. A área em torno destes parques é valorizada, pois há necessidade de uma rede de hotéis e restaurantes e toda uma infra-estrutura de atendimento. Isso acontece também em relação aos resorts, pois, o que se tem visto é uma valorização extraordinária das regiões próximas, principalmente para o setor da habitação, afirma.
Segundo o presidente do Sinduscon/Oeste, José Vidal Boaretto, os investimentos no setor turístico não beneficiam somente grandes construtoras, mas também os pequenos, uma vez que um grande investimento sempre atrai investimentos menores.


