Turbulência financeira aquece o setor
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de setembro de 1998
Ligia Barroso 
Os imóveis são o único tipo de bem que pode garantir um ganho adicional para o investidorPara quem tem capital disponível e estava esperando uma ocasião ideal para adquirir um imóvel esta é a hora certa. A avaliação é consenso entre imobiliaristas e construtores que veêm, na crise financeira, nas oscilações e queda nas Bolsas e a perspectiva de recessão na economia, os principais fatores para o aquecimento do setor. Com a perda nas aplicações financeiras, os investidores começam a procurar bens para protejer seu capital. E o mercado imobiliário é um dos primeiros a sentir este reflexo,, argumenta o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Londrina, Clóvis Coelho.
Tudo indica que, (in)felizmente o setor é, neste momento, um dos maiores beneficiados com a crise, já que essa estratégia de comprar imóveis durante a turbulência nos mercados financeiros, acontece porque este tipo de bem é o único que pode garantir um ganho adicional para o investidor. Ele aplica com segurança e tem a liquidez com a locação, diz o empresário. Coelho observa ainda que também para o consumidor que sonha com a oportunidade de realizar o sonho da casa própria o momento não deixa de ser oportuno.
Apesar da cautela, em relação às altas taxas de juros dos financiamentos, as opções em ofertas de imóveis, novos e usados, e em modalidades de crédito são muitas. Além disso, a própria imposição do mercado consumidor para a comercialização de novos imóveis de médio padrão - hoje quase 30% mais baratos se comparados com os preços de quatro, cinco anos atrás, oferecendo sobretudo produtos de maior qualidade em tecnologia de construção - fazem, deste momento, uma oportunidade de bons negócios.
Ponderando, o presidente do Sinduscon Norte completa dizendo que, como a expectativa é de que os juros e a Taxa Referencial (TR- indexador da maioria dos contratos de financiamento imobiliário) não se estabelizem em alta, o impacto do custo, no acréscimo de valores das dívidas dos mutuários, será residual, pois os contratos são de longo prazo.
Reagindo também com otimismo, estão os corretores que já registraram, semana passada, além do aumento de visitas ao plantões e em consultas nos balcões de negócios das imobiliárias, crescimento no volume de negócios. Duas boas vendas, em um único dia, foram realizadas nessa semana, quando minha média é uma venda a cada 15, 20 dias, diz o imobiliarista londrinense Antonio Saconatto. O diretor da Invista Empreendimentos Imobiliários, que tem no segmento de condomínios residenciais verticais, seu maior volume de negócios, diz que tanto o mercado de novos quanto de usados está atrativo.
O imóvel usado, se comprado como investimento, traz a liquidez imediata com a locação; se for para moradia, o ganho com o valor do aluguel. O novo, além da segurança de aplicação do capital, está com custos mais competitivos. Portanto, quem vende não está perdendo e quem compra está ganhando, conclui.


