Imobiliaristas apostam na alternativa para aquecer as vendas e negociar maior número de unidades. Grande parte dos casos envolve apartamentos residenciais
Cientes da necessidade de se adequar à realidade do mercado, as construtoras costumam facilitar ao máximo o fechamento de negócios envolvendo a troca de imóveis usados. A alternativa é vista com bons olhos pelos empresários do setor, que apostam nessa possibilidade para aquecer as vendas e negociar maior número de unidades.
Na Moro de Londrina, a prática é comum e perfaz mais da metade das transações concretizadas. De acordo com Pedro Bobroff, diretor da empresa, a alternativa agiliza o processo e agrega valor à negociação, já que o bem oferecido como entrada acaba gerando novos negócios. ‘‘Já cheguei a realizar cinco vendas a partir de um imóvel. O apartamento usado do primeiro cliente acabou sendo trocado por um outro de menor valor e assim por diante. As trocas têm efeito multiplicador e aquecem a economia’’ afirma.
Grande parte das trocas envolve apartamentos residenciais, mas existe a possibilidade de se aceitar casas ou lotes como parte do pagamento. ‘‘Também acontecem trocas de lotes menores por unidades maiores, mas são casos mais esporádicos. Normalmente, as pessoas que compram lotes já estão planejando construir no local’’, coloca Dante Belinatti Guazzi, sócio-proprietário da Protenge.
Ele ressalta que atualmente os investidores evitam ficar com dinheiro guardado por muito tempo, pois os rendimentos pagos pelas aplicações financeiras nem sempre são satisfatórios. ‘‘É muito difícil aparecer alguém com dinheiro suficiente para comprar um imóvel à vista. O mercado tem que abrir as portas para todas as possibilidades, permitindo movimentação da economia’’, diz.
Em construtoras que trabalham pelo sistema de condomínio, a troca de imóveis é mais difícil. ‘‘Nesse sistema o procedimento tem que ser igual para todos os envolvidos, não podemos abrir precedentes. Se necessário, damos um prazo maior para o interessado negociar seu imóvel antigo’’, explica Maria Clarice Moreno, diretora da Serteng.
Quando o novo apartamento não está pronto, a Moro oferece alternativas para facilitar a vida do comprador que ainda mora no imóvel antigo. ‘‘As vendas são negociadas caso a caso. Algumas vezes recebemos o usado apenas na data de entrega do imóvel novo, em outras ocasiões facilitamos o processo de locação de um imóvel transitório enquanto o fim das obras é aguardado. Nossa intenção é garantir a satisfação do cliente’’, completa Pedro Bobroff.
Com relação aos clientes, a opção da troca evita o transtorno de ter que esperar a venda do imóvel antigo para comprar um novo. O comerciante Sérgio Tacaki utilizou um apartamento na aquisição de uma unidade comercial e ficou bastante satisfeito. ‘‘Se não houvesse a alternativa da troca, o negócio não teria se concretizado. Eu não possuía recursos suficientes e teria que vender meu apartamento antes de comprar outro bem. Para quem não trabalha no setor imobiliário, utilizar o imóvel usado como parte do pagamento evita muita dor de cabeça’’, finaliza.

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