São Paulo - Acusação de corrupção, reclamações diversas, críticas sobre má condução financeira, o condomínio reproduz em pequena escala a situação vivida por qualquer cargo cujo ocupante é eleito e comanda orçamentos como o do Copan, no centro de São Paulo, de R$ 4,8 milhões. Mesmo assim, há síndicos que conseguem se manter no poder por mais de dez anos.
Como responsável por um condomínio na zona norte de São Paulo, o comerciante Aldo Antônio Busuletti, 43 anos, aconteceu exatamente isso. Há dez anos reeleito síndico, ele conta que sempre houve quem não gostasse dele. ''Um morador colocava cartinhas na minha porta me xingando, mas eu acabei processando ele'', diz. ''Ele pegava os balancetes e dizia que eu fazia gastos excessivos, mas nunca se candidatou a síndico.'' Na verdade, em uma década, Busuletti teve apenas três concorrentes.
Um desses adversários chegou a fazer campanha, que incluía a distribuição de cartas aos moradores com ''plano de governo'' e discursos preparados na assembléia da eleição. ''Achei que não iria ganhar. Mas, mesmo assim, o pessoal me escolheu'', lembra.
A fórmula para se manter tanto tempo no cargo, segundo ele, é ''ser transparente''. ''Todo mês, me reúno com os conselheiros para prestar contas. Tento negociar o máximo que posso para manter as contas ordinárias sempre no mesmo valor'', explica. O edifício tem 192 apartamentos e uma arrecadação de cerca de R$ 90 mil por mês. Todas as quintas-feiras, ele faz plantão para atender as reivindicações dos moradores.
Contas - Transparência nas contas também é a bandeira do engenheiro Jayme Faibicher, 80 anos, que comanda há seis anos um condomínio de 70 apartamentos projetado por Adolpho Lindenberg no Jardim Paulistano, zona sul de São Paulo. ''Sem a confiança das pessoas, não é possível ser síndico'', afirma.
Faibicher chegou a criar procedimento próprio, que imita as licitações públicas, para comprar material ou instalar equipamentos como um gerador. ''Peço quatro orçamentos diferentes, que vêm em envelopes fechados, que são abertos na frente dos conselheiros'', conta o engenheiro. ''Não gosto de ter o rabo preso com ninguém.''
No centro de São Paulo, o síndico Affonso Celso Prazeres de Oliveira administra apenas um condomínio, mas que valeria por uma cidade - o Copan, com 1.160 apartamentos, 104 funcionários e cerca de 5 mil moradores. O orçamento anual chega a quase R$ 5 milhões.
Prazeres conta que, nos últimos oito anos, o valor do condomínio subiu 30%, reajuste inferior à inflação do período, mesmo incluindo investimentos no prédio. Com isso, os imóveis tiveram valorização. ''Uma unidade maior, que custava R$ 70 mil, agora não é vendida por menos de R$ 250 mil'', diz. A fama de treme-treme do edifício símbolo de São Paulo é passado, quando 70% dos moradores eram inquilinos - hoje, são 40%.
Prazeres também cita a transparência como fator de longevidade no poder. ''Eu poderia gastar até 100 salários mínimos sem pedir autorização, mas os conselheiros sempre estão comigo em minhas decisões'', afirma.

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