Tranquilidade perto do agito da cidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de março de 1998
Elisa Marília Carneiro e Paulo Pegoraro 
Antigas fazendas ao redor de Curitiba começam a ganhar cara nova depois que as pessoas redescobriram a tranquilidade da vida rural. O costume europeu de viver afastado dos centros urbanos começa a ser copiado dos empresários que começam a chegar à região para trabalhar nas montadoras entrangeiras.
O loteamento da Fazenda Catas Altas em São José dos Pinhais, a 38 quilômetros de Curitiba oferece boa infra-estrutura. Apenas 100 alqueires dos 530 da fazenda original foram divididos; as chácaras, com pelo menos 20 mil metros quadrados, estão integradas ao conjunto de serviços que vão desde restaurante até baias para cavalos, máquinas agrícolas e funcionários.
Cada sitiante, nesse caso, paga somente os serviços que autorizar. Assim ninguém terá as duas únicas alegrias da chácara: o momento da compra e o da venda, brinca Manun Xavier, filha do proprietário da fazenda. Temos todo tipo de chácara, em terreno plano, com nascente, com rio, com vegetação. O menor preço é de R$ 1,5 mil de entrada e prestação de R$ 150,00 em 72 meses, argumenta.
A Estância Purunã, na Serra de São Luiz do Purunã a 38 quilômetros de Curitiba, está sendo loteada em chácaras também para residência fixa. Além dos recursos de beleza natural, como água mineral, energia elétrica e telefone. Ali, cada metro quadrado está custando R$ 1,50.
O Recreio da Serra, situado a 25 quilômetros de Curitiba e um dos primeiros empreendimentos do tipo - fazenda loteada em sítios - já abriga, entre as 340 chácaras, cerca de 80 casas construídas. Destas, 25 famílias transferiram o endereço da residência urbana para o novo local. Falta despertar o gosto do brasileiro pela vida saudável, diz o gerente de produção da Companhia de Desenvolvimento de Curitiba (CIC) Arynelson Grabowski de Mello, que optou por viver com a família no condomínio rural, desde 1993.
Antecedendo o potencial de lazer aquático proporcionado pela formação do lago da hidrelétrica de Salto Caxias, no Rio Iguaçu, programado para estar pronto em dezembro deste ano, uma incorporadora de Cascavel está lançando o condomínio Marinas Doce Vida. Tradicional no ramo imobiliário, a empresa J.L., empreendedora do investimento, espera atrair pessoas urbanas em busca do bucolismo da geografia que se estabelecerá com o reservatório, de 141 quilômetros quadrados.
Sete alqueires no município de Boa Vista da Aparecida, nas proximidades da barragem da usina da Copel, divididos em 82 lotes, cada qual com média de 2 mil metros quadrados, formam o Marinas Doce Vida, que já está com 75% dos lotes vendidos. Com custo médio de R$ 35 mil, as chácaras foram vendidas a empresários, médicos e outros profissionais liberais.
Totalmente cercado, o condomínio não prevê divisão entre lotes e os compradores poderão construir de forma personalizada. Além da estrutura para uso comum, será implantado um atracadouro de barcos, farol para navegação noturna, quadras de esportes e quiosques com churrasqueira.
Como uma das formas de compensação aos impactos sócio-econômicos, decorrentes da desativação de pequenos negócios, a própria Copel tem manifestado interesse em atrair para a região empreendimentos que criem alternativas de desenvolvimento. O reservatório da usina de Salto Caxias, que começará a operar no final do ano, terá 141 quilômetros quadrados, ao longo de nove municípios do Oeste e Sudoeste do Paraná.
Em parceria com prefeituras, a companhia implantará centros de lazer em seis municípios (os mais afetados pelos alagamentos), em áreas remanescentes das que indenizou. Em cada local serão investidos cerca de R$ 200 mil, repassados às prefeituras, que contratarão obras através de licitação. As áreas de lazer terão praia artificial, quiosques, churrasqueira, playground, campo de futebol de areia, e até mesmo cancha de bocha.


