Trabalho detecta falhas em canteiros
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de dezembro de 1997
Londrina 
Mario CesarFerramentaDorival Pagani Júnior e a maquete do equipamento: bolsão de ar preserva a vida do operárioA busca pela qualidade e eficiência vem tomando corpo em várias atividades econômicas, em função da concorrência e das dificuldades conjunturais de se obter lucro. Na construção civil, exige-se a adoção de tecnologias e procedimentos para alcançar resultados esperados. Um dos mais importantes itens de uma obra é o canteiro, onde todas as fases de uma construção são desenvolvidas e onde pode se determinar desde o cumprimento de prazos até a utilização de materiais e segurança de funcionários.
O canteiro de obras foi tema do trabalho de conclusão de curso do estudante Dorival Pagani Júnior, aluno de engenharia civil da Universidade Estadual de Londrina (UEL), um dos trabalhos premiados na Mostra de Trabalhos de Graduação, promovido pelo Clube de Engenharia e Arquitetura (CEAL), em conjunto com Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon) e Universidade Norte do Paraná (Unopar). Além da engenharia civil, foram premiados trabalhos de Arquitetura(da UEl e Cesulon) e Desenho Industrial (Unopar).
O canteiro representa de 3% a 5% dos custos totais de uma obra, índice na maior parte das vezes, desconsiderado pelos empresários do setor. Isso pôde ser comprovado pelo diagnóstico feito pelo estudante. Das 13 obras usadas como base do trabalho, em Londrina, Dorival Pagani constatou que apenas duas tinham projeto do canteiro - que é uma das exigência da Norma Regulamentadora 18 (NR-18) - mas não apresentaram quando solicitado.
Diante do diagnóstico feito nas obras, Dorival Pagani elaborou a apostila Diretrizes básicas para projetos de canteiro de obras, parte do seu trabalho de graduação, em que propõe e descreve a implantação de um canteiro, obedecendo as normas do Ministério do trabalho e Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
O estudante determinou como pontos para análise as instalações provisórias, a segurança na obra e o sistema de movimentação e armazenamento de materiais. Pagani usou como base um check list aplicado em obras dos municípios de Santa Maria e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, fazendo comparação com as obras analisadas em Londrina.
Constatei que na maior parte dos casos não existia projeto de canteiro, sendo implantado no decorrer da obra, diz Pagani. O resutado dessa prática eram locais sem a devida organização, o que influenciava diretamente na execução da obra.
Os profissionais, por exemplo, não se preocupam com a padronização e reutilização das instalações provisórias. Somente três canteiros adotavam algum tipo de modulação, que facilitasse o processo de montagem e desmontagem. Em poucos canteiros os capacetes e outros equipamentos de segurança eram entregues na entrada, obrigando clientes e funcionários a percorrerem parte do canteiro para pegar o equipamento.
Outro ponto destacado pelo trabalho é com relação à logística do canteiro. Em muitos o almoxarifado estava situado distante do ponto de descarga de caminhões. Nestas instalações, os materiais e equipamentos armazenados não apresentavam qualquer tipo de etiqueta.
A falta de preocupação com o bem estar de operários ficou evidenciado. Muitos dos canteiros utilizavam-se intalações para exercer múltiplas funções, como vestiário, refeitório, almoxarifado, depósito.
Segurança também é item que merece atenção dos construtores, de acordo com o diagnóstico feito pelo estudante. Segundo ele, poucos canteiros possuíam corrimão provisório nas escadas e nenhum possuía proteção graduada nas lâmpadas das escadas, quando existiam. Poucos também tinham escadas de mão que ultrapassassem em cerca de um metro o piso superior. Em geral, os canteiros analisados possuíam pouca ou nenhuma sinalização de segurança, além de somente sete terem extintores para combate de princípio de incêndio.


