Basta uma pequena volta pelos bairros da Zona Norte de Londrina para perceber que essa é a região que conta com a maior oferta de loteamentos abertos na cidade. Nos últimos cinco anos foram implantados mais de seis mil lotes, divididos em 35 loteamentos, com toda infra-estrutura básica de saneamento, esgoto, iluminação e asfalto, segundo dados do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL). Em segundo lugar está a Zona Leste, onde foram abertos pelo menos 10 loteamentos no último ano.
O que conta pontos para os terrenos da região norte, segundo os profissionais do ramo, é o preço. Um lote pode custar de R$ 8 a R$ 35 mil à vista, dependendo da localização. Terrenos nas proximidades da Avenida Saul Elkind são os mais valorizados. A maioria das unidades ainda é considerada de baixo padrão. ''O atrativo desses lotes está nas parcelas baixas, mas o prazo fica bastante estendido'', observou o gerente de vendas da imobiliária Santamérica, Luiz Moreira. Os valores podem ser parcelados em até 120 meses.
Os compradores, segundo ele, são pessoas que já moram na região ou trabalham nas proximidades e pretendem fixar moradia no local. ''Investidores quase não procuram por esse tipo de negócio. São raras as situações em que isso acontece'', afirmou Moreira.
Ainda que o mercado naquela localidade seja bom, os imobiliaristas afirmam que o índice de velocidade de venda para esses lotes teve uma significativa redução de uns três anos pra cá. ''Essa região está com excesso de oferta, o que dificulta um pouco as negociações'', apontou João Júlio, consultor imobiliário da Schietti & Sapia.
Ele lembra de um período bastante positivo para vender os lotes que foi quando os dekasseguis estavam investindo em imóveis na cidade. ''Eles ainda compram, mas o ritmo diminuiu consideravelmente'', frisou Júlio. O gerente da Santamérica reforça que no começo da década de 90, momento em que milhares de brasileiros se aventuraram a trabalhar no Japão e mandaram dinheiro para suas famílias aqui no País comprar terrenos e imóveis, os lotes chegaram a ter um acréscimo. ''Antes várias pessoas da mesma família compravam lotes para investir o dinheiro que haviam ganhado em outros países. Agora a frequência desse tipo de negócio é bem menor'', sentenciou Moreira.
Em relação aos lotes na região leste da cidade, os profissionais apontam que as negociações também são boas tanto nos loteamentos abertos quanto nos condomínios fechados. Ao longo das avenidas São João e Robert Koch, estão sendo abertos vários loteamentos de médio padrão, os quais têm impulsionado o mercado imobiliário daquela área. ''Quem compra os terrenos nesses condomínios fechados são pessoas que antes preferiam apartamento, mas hoje optam por uma residência térrea'', comentou o imobiliarista Alfredo Canezin.
Segundo ele, lotes continuam sendo ótimas alternativas de investimento, principalmente para aquelas pessoas com renda fixa em torno de R$ 1,5 mil a R$ 2,5 mil. Um terreno na região leste, conforme João Júlio, pode variar de R$ 35 a R$ 50 mil.
Quanto aos terrenos de alto padrão, os imobiliaristas são unânimes em dizer que o mercado sofreu bastante com a entrada dos condomínios horizontais, localizados na Zona Sul. ''Os condomínios fechados retraíram a compra dos terrenos de alto padrão em loteamentos abertos. Os populares não foram atingidos porque não concorrem com esse tipo lote'', apontou Moreira.
Terrenos em bairros como o Bela Suíça e o Jardim Mediterrâneo, região bastante valorizada na cidade, custam em média R$ 150 o metro quadrado. O preço de um lote em um condomínio horizontal chega a ser em torno de 30% mais caro. Segundo os imobiliaristas, a opção por unidades desse último modelo de moradia é por conta da segurança.

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