A palestra agendada pelo Sinduscon e Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina para a noite do dia 11 de dezembro sobre tensoestruturas, ilustrará a dimensão e possibilidades de aplicação desta tecnologia, já utilizada em grande escala, há mais de duas décadas, em países do Primeiro Mundo. A solução para coberturas leves em vãos livres de até 70 metros, ainda é alternativa inédita no Brasil.
O trabalho de pesquisa, apresentando as mais importantes obras e experiências no uso de tensoestruturas utilizadas na Itália, incluindo também propostas de projetos para duas obras em Londrina (veja reportagem na última página deste caderno), está a cargo do mestre em engenharia e professor do Departamento de Estruturas da UEL, Vitor Faustino Pereira. O engenheiro apresentará também, aos profissionais da construção civil, através de vídeo e material gráfico, entrevista e trabalhos de um dos mais conceituados projetistas mundiais da atualidade, o arquiteto italiano Mássimo Majowiecki (idealizador dos estádios de Turin e Roma e também o responsável técnico pelos estudos e projetos de reforço, estaiamento, que estão sendo realizados atualmente na Torre de Piza).
Efeito tração O que parecia um simples projeto para a cobertura de uma estufa agrícola, desenvolvido por Federico Canobbio, em 1926, engenheiro no norte da Itália, foi a base para a construção da história tecnológica no setor de coberturas leves com membrana. No final dos anos 50, a intuição e determinação dos descendentes da família Canobbio, aliados ao arrojo empresarial de um circense, o Orfei, revolucionaram o sistema para cobertura de vãos livres, colocando no centro da praça pública da cidade de Castelnuovo Scrivia, a estrutura base da revolucionária tecnologia atual.
Com as pesquisas desenvolvidas pelo alemão Frei Otto, na década de 60, surgiu um novo conceito estrutural e arquitetônico. E os pavilhões, construídos para os Jogos Olímpicos de Munique, foram, definitivamente, o marco desta nova era.
Empregando apenas os cabos de aço como material básico para a estrutura, as coberturas podem receber ainda lonas de tecidos sintéticos (cobertura com membrana) ou telhas metálicas. Trabalhando apenas com a tração destes materiais, a tensoestrutura tornou-se alternativa para coberturas de grandes vãos a baixo custo. Sem contar as múltiplas possibilidades de aplicação dos projetos arquitetônicos para grandes construções, como ginásios de esporte, campo de futebol, centros de exposição e eventos, além das coberturas temporárias, dada à facilidade de montagem e desmontagem (no caso específico de obras apenas com cobertura, sem paredes).
Segundo o engenheiro Vitor Pereira, o baixo peso para a obra é o grande diferencial. Comparando custos com as estruturas metálicas convencionais, por exemplo, chega-se a valores discrepantes. Ele exemplifica: ‘‘Enquanto coberturas para vãos livres, da ordem de 20 a 30 metros, em estruturas métalicas, pesam de 15 a 20 quilos por metro quadrado, neste sistema, o peso, para vãos de 50 a 70 metros (ou seja, o dobro de cobertura livre), equivale a, no máximo, seis kilos por metro quadrado. O barateamento, portanto, está não apenas na facilidade e agilidade de aplicação deste sistema, mas na possibilidade de economia da construção ( fundação, paredes, etc.)’’.
No Brasil De acordo com os resultados de pesquisas, estudos de viabilidade de aplicação e visitas a algumas das obras em cidades européias, o engenheiro pôde observar também outro fator importante na composição custo/benefício. Segundo ele, todas as obras em tensoestrutura, que utilizaram apenas o cabo de aço como material e foram construídas ao longo destas duas décadas não tiveram necessidade de reparos ou de manutenção. E as que têm a membrana de tecido sintético aplicado sobre a estrutura em aço, também apresentam grande durabilidade, entre dez e 15 anos. ‘‘Os americanos já estão utilizando o ‘teflon’, como alternativa para a composição da membrana, e isso significa durabilidade igual ao aço,’’ ilustra Vitor Pereira.
O ingresso deste sistema construtivo no Brasil pode ocorrer ainda em 97. Segundo o professor da UEL, o empresário Beto Carrero, também aproveitou a Feira Internacional da Indústria da Construção - Saie 96, realizada em meados de outubro em Bologna, Itália, para negociar com a indústria Canobbio: ‘‘A previsão é de que até o final do próximo ano, duas coberturas em membrana estejam instaladas no parque de diversões, em Santa Catarina.’’

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