Tendência aponta para cores quentes
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de agosto de 2000
Célia BaroniEnviada a São Paulo 
Feira internacional realizada em São Paulo sugere que é preciso aquecer a decoração contemporânea, proposta reforçada nas linhas que vestem objetos
O vermelho, em tonalidades escuras mas vivas, mostrou que é a cor da vez, marcando presença em praticamente todos os estandes de objetos de decoração e utensílios domésticos da 21ª São Paulo International Gift Fair Housewares. Em vasos, copos e velas, o vermelho reinou absoluto entre o colorido que já vem alegrando a decoração há dois anos.
É importante ressaltar que os doces tons pastéis e os ardidos estão sutilmente desaparecendo, cedendo espaço para tonalidades mais quentes e densas das mesmas cores. Os tons de verde merecem destaque. Com tonalidades intensas, eles misturam o mistério dos tons musgo com a alegria e vivacidade das cores das folhas novas.
Como nas roupas, os laranjas, liláses, rosas e azuis fortes também vão reinar na decoração, transportados para cortinas, luminárias e tecidos em geral. A suavidade vai ser garantida pela trasparência dos materiais como resinas, cristais e o voal.
Muita coisa mudou apesar da sensação de dejà vu persistente nos corredores da Gift. A sensação, diga-se de passagem, é mais um reflexo da globalização, que parece ter criado uma linguagem básica que conduz os caminhos da criação. Os materiais em alta ainda são os mesmos: alumínio, vidro, madeira escura e a resina.
O alumínio, no entanto, que sempre dominou as peças deixando o vidro como coadjuvante, virou acessório. Em tramas ou como detalhe, agora o material empresta seu brilho e elegância ao vidro que ganha ares de peça refinada.
O resultado não poderia ser melhor. Os objetos ficaram visualmente menos frios e mais leves. Seu charme está na suavidade e na descoberta dos detalhes criados pelos designers. Um exemplo está em uma das criações de ****, do Banana Colection.
Usando a mesma trama das redes dos pescadores, ela teceu recipientes que aconchegam peças de vidro que vão direto da cozinha para a sala. A leveza da trama em alumínio empresta elegância às peças dessa linha.
Falando em tramas, a tendência de vestir vidros e porcelanas de uso diário usando fibras naturais apareceu com força na 21ª Guift. Aparentemente o setor percebeu a necessidade de aquecer o estilo contemporâneo. As peças em porcelana branca e vidros perdem a dureza natural quando envolvidas por rattam ou junco.
Mas, talvez, um dos aspectos mais interessantes de toda a feira seja mesmo a preocupação em imprimir um ar artesanal às peças; um vínculo cultural e emocional aos objetos.
Vasos de resina e madeira aparecem costurados com couro e peças em terracota têm bordas trabalhadas em fibras naturais similares aos bicos de crochê comuns nos panos de prato.
Nem o ferro escapou dessa trama. Moldado em fios, aparece torcido, formando luminárias ou recortado em candelabros, cachepôs e fruteiras. Ele também mudou de cor; substituindo a sua cor natural por uma mistura de ferrugem e preto que sugere quase um envelhecimento.
Interessante também é constatar que o ferro está disputando palmo a palmo o espaço do alumínio em objetos de decoração. E se ele não tem o refinamento natural do alumínio, certamente aposta no encanto da simplicidade e no sentimento de bons tempos que ele sempre consegue despertar.
Direcionada a lojistas, a feira aconteceu na semana passada, em São Paulo. E embora não seja oficial ou unânime, nos corredores e entre os expositores, a opinião mais enfatizada foi a de que essa edição conseguiu superar as anteriores em organização e qualidade.
Os 700 estandes reuniram os mais recentes lançamentos do setor. Entre os participantes, estavam 93 empresas estrangeiras representando 19 países, incluindo os que já são referência no setor, como Itália e Alemanha.
A repórter visitou a feira a convite da Grafite-Divisão de Feiras Profissionais


