Telhado funciona como exaustor natural
foto: Kraw PenasBoa idéiaO arquiteto Luiz Reis e o projeto da residência: respeito às características naturais do ambienteQuente no inverno, frio no verão. O clima ideal para o interior de uma residência pode ser obtido de maneira simples e econômica. O arquiteto curitibano Luiz Reis desenvolveu um projeto priorizando o conforto térmico para um conjunto de 51 casas em Prainha (Guaratuba, no litoral paranaense).
O principal elemento que contribui para o baixo consumo de energia é um telhado inclinado que funciona como exaustor natural. O desenho é o mesmo do tubo de Venturi - dispositivo empregado para medidas de velocidade na aeronáutica.
Durante o dia, o ar quente concentrado dentro da casa se acumula naturalmente na parte superior. O vento entra por aberturas na parte superior e sai pelo outro lado carregando consigo o ar quente que estava no interior.
À noite, o vento percorre o sentido inverso (da terra para o mar). As residências também contam com um dispositivo que pode ser regulado e fechado nos dias frios.
A idéia não é acabar com os aparelhos de ar-condicionado - eles podem ser utilizados em situações extremas, comenta o arquiteto. Segundo ele, o custo para a construção é o mesmo de um telhado convencional. O projeto foi desenvolvido em cerca de um ano, com a assessoria do engenheiro mecânico Aloísio Leoni Schmid (que auxiliou nos cálculos e estudos sobre os ventos e energia térmica).
A construção das casas deve iniciar este ano, sob a coordenação da Irmãos Thá. O conjunto ficará em um terreno de 15 mil metros quadrados, dividido em 17 blocos. Cada moradia tem 232 metros quadrados, com subsolo, térreo e primeiro pavimento.
Além do conforto térmico, o projeto respeita as características naturais do ambiente. A altura das residências foi limitada para preservar a paisagem praiana. Espécies nativas receberam preferência na composição dos jardins e a drenagem junto aos passeios externos foi concebida em canais abertos, adicionando sinuosidade ao traçado da rua. Com isso, há maior capacidade de escoamento que os dutos pluviais tradicionais. O espaço verde para convívio social e lazer foi separado da circulação motorizada e ligado aos blocos por meio de passarelas, evitando o contato entre pedestres e veículos.





