A aplicação de novos sistemas tecnológicos no setor da construção civil depende da quebra de resistência cultural de construtoras, profissionais da engenharia e arquitetura e de mestre de obras e pedreiros. Poucos têm coragem de inovar. E a inovação não tem limites. A tecnologia pode ser aplicada nos mais diferentes setores das obras. Do projeto à troca de informações. Do sistema de produção aos tipos de material.
A tecnologia aplicada ao projeto exige maior detalhamento do que é pretendido na construção. Baseado, por exemplo, em pesquisas de mercado. É possível definir índices objetivos de avaliação de todas as etapas do projeto, incluindo partes elétrica e hidráulica. Um projeto bem pensado reduz perdas e aumenta a produtividade, essencial para ganhar mercado, considerando que o poder aquisitivo do brasileiro está em baixa.
O mercado da construção civil vangloria-se por absorver mão-de-obra com baixa qualificação enquanto deveria investir nos trabalhadores. ''Os profissionais dizem que sempre trabalharam da forma antiga e não querem mudar. É preciso vencer essa barreira'', avalia o arquiteto Clovis Boher Filho.
Mas se há um ponto no qual a tecnologia já deixou de ser um instrumento e tornou-se necessidade intrínseca é a troca de informações durante todo o processo. A informática confere agilidade ao processo construtivo. As mudanças específicas nos projetos, antes feitas com tinta nanquim em papel vegetal, agora são disponibilizadas em sites de hospedagem. Os agentes do processo podem ter acesso ao projeto.
É óbvio que este nível de tecnologia é aplicado para grandes empreendimentos, como hotéis e flats. Foi com a expansão desse setor que a cidade de São Paulo venceu o círculo vicioso ''baixa demanda-alto custo da tecnologia''. A troca de informações é essencialmente importante. Até porque atualmente é comum haver obras, projetos e construtoras de diferentes locais do País.
O grau de organização do projeto vai determinar o desempenho no processo de produção. A qualidade do gerenciamento e o consequente ganho de tempo e redução de custo são diretamente proporcionais ao nível de detalhamento do projeto. Quanto mais bem elaborado, maior a produtividade do sistema como um todo.
A redução do desperdício de materiais pode contribuir de forma efetiva no nível de produtividade da construção. O uso de sistemas mais avançados pode ser a solução. Um exemplo são as paredes de gesso acartonado, que não têm quebras como a alvenaria e têm sido usadas constantemente nos Estados Unidos e Europa há anos. Para disseminar a tecnologia, no entanto, é preciso que construtoras e profissionais ''derrubem as paredes do preconceito'' e invistam em sistemas inovadores. (F.R.F.)

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