Tecnologia preserva o ambiente
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de dezembro de 2001
Ligia Barroso<bR>De Londrina 
Captar e armazenar a água da chuva para depois regar o jardim; reciclar a água utilizada em lavatórios, duchas, pias de cozinha e de máquinas de lavar pratos e roupa para abastecer as caixas de descargas dos sanitários, que, por sua vez, também ganharam condições técnicas (e obrigatoriedade governamental) para reduzir o consumo utilizam apenas 6 litros de água por descarga.
Um conceito que traduz a preocupação com o controle (para não racionar) das revervas naturais de água potável, e que não requer sofisticados recursos tecnológicos; apenas a aplicação de técnicas de engenharia, e bom senso.
Métodos já ''naturalmente'' utilizados por construtoras de muitos países europeus da Inglaterra, em especial que serviram de exemplo para estruturar um planejamento técnico para a aplicação deste sistema em edifícios de Londrina.
A iniciativa é da Construtora Plaenge. E a idéia de aplicar em suas próximas obras residenciais recursos que ajudem a economizar no uso de água para quem vive em condomínio, surgiu depois da visita técnica realizada por seis engenheiros da empresa à Inglaterra, para reciclagem e acompanhamento das evoluções em sistemas construtivos.
''São as técnicas ambientais associadas às soluções construtivas, que resultam no que podemos chamar também de aplicação de tecnologias inteligentes, e que proporcionam, além da racionalidade no uso da água (neste caso) e da energia elétrica, também economia financeira e aumento na qualidade de vida da população'', declara o engenheiro Elizeu Gheller, gerente dos projetos técnicos das incorporações da Plaenge.
Segundo ele, a maioria de nós brasileiros, ainda não dimensionou o que realmente significa a redução dos recursos hídricos do planeta, e a importância para necessidade de preservação do meio ambiente. ''Começamos a 'pensar' mais intensamente sobre isso, depois que conhecemos a crise energética que passa a maioria da população de outros estados do país; e isso já é uma consequência da falta de água. Mas esta é uma preocupação constante de outros países nestas últimas duas décadas: buscar soluções para minimizar um problema cada vez mais eminente, com um futuro cada vez mais próximo''.
O modelo desta técnica ambiental para residências e edifícios residenciais: reservatórios de água, com instalações hidráulicas independentes. ''Através de um filtro biológico recupera-se 100% da água escoada pelas pias, duchas, tanques e máquinas de lavar. Ao invés de ir direto para a rede de esgoto, a água reciclada é armazenada em outro reservatório para ser utilizada como abastecimento das caixas de descarga nos banheiros'', conta o engenheiro, citando que o princípio é o da preservação; a execução é da engenharia.
''Quando se fala no emprego de tecnologia inteligente em construções residenciais, nem sempre estamos nos referindo essencialmente ao emprego da sofisticação de técnicas. Muitas das vezes, os recursos vêm da evolução de antigas soluções. Neste caso, por exemplo, o princípio utilizado foi o das cisternas, usadas desde os povos da antiguidade para armazenar a água. As técnicas para a instalação em edifícios, para filtrar e armazenar é que são inovadoras. E buscar alternativas para que, através da engenharia, se construam moradias que contribuam para a preservação do meio ambiente, e consequentemente para a melhoria da qualidade de vida de seus usuários, é aplicar, de forma inteligente, os recursos tecnológicos disponíveis'', ressalta Gheller.
Vale lembrar: os hidrômetros individuais instalados nas novas unidades edificadas, que contabilizam o consumo de cada um dos apartamentos, e a caixa de descarga, também com capacidade para seis litros (que no Brasil também foi regulamentada pela ABNT e passa a ser de fabricação, e instalação, obrigatória a partir de dezembro de 2002), são duas soluções que estão sendo implantadas na maioria dos novos edifícios brasileiros residenciais e comerciais.


