Tecnologia à francesa
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de setembro de 2001
Ligia Barroso<br> De Londrina 
Projetos mais sofisticados, redução do consumo de energia e do desperdício, e menor impacto ambiental. Estes são alguns dos benefícios obtidos com a inclusão de inovações tecnológicas na indústria da construção, e defendendidos por especialistas brasileiros e franceses durante encontro técnico científico realizado no Instituto de Engenharia de São Paulo.
O Seminário Franco-Brasileiro sobre novas tecnologias e materiais inovadores para construção, e realizado pela segunda vez no país pelo Instituto de Engenharia e a Associação dos Antigos Alunos e Estagiários das Escolas Francesas (Aspef), trouxe como novidade desta edição, uma nova geração de concretagem que está sendo pesquisada na França e poderá reduzir substancialmente a incidência de acidentes e doenças profissionais, diminuir o ruído e dispensar trabalhos de acabamento final.
''A partir de um projeto nacional de pesquisa implantado na França, está em curso o desenvolvimento de um novo sistema de concretagem que, embora seja mais caro que o convencional, poderá trazer ganhos em qualidade e segurança no trabalho'', afirma Michel Bazin, engenheiro-chefe e integrante do Centro Científico e Técnico da Construção da França - CSTB.
''A finalidade da pesquisa almejava um concreto fluido e homogêneo a tal ponto que sua aplicação eliminasse o uso de vibradores'' - que impõem, segundo o engenheiro, condições ruins de trabalho. Como vantagens imediatas, operários não precisam mais ficar expostos a ruídos e nem lixar o concreto após a retirada das formas. Guindastes e trabalhos em altura são igualmente dispensados, uma vez que o concreto é lançado de baixo para cima. ''Por um lado, o aumento da fluidez permite a execução de espessuras mais finas e de elementos menores; por outro, a tecnologia implica redução de custos de indenização'', enumera Bazin.
Segundo ele, como sempre acontece com novas tecnologias no setor, as que estão em desenvolvimento na França ainda vão sofrer fortes resistências na cadeia de produção inteira, das empreiteiras aos operários de obra. ''Mas poderão trazer grandes ganhos de custos e qualidade'', ressalta. ''As técnicas do novo sistema de concretagem eliminam completamente a necessidade de vibrar o concreto, utilizada no sistema de convencional e que gera ruídos. Com isso, devem ser eliminadas as causas de frequentes doenças ocupacionais, facilitando a comunicação dos funcionários durante a obra, explica o engenheiro do CSTB.
Durante o seminário Bazin disse que até agora o sistema foi testado com sucesso em um número restrito de edificações na França. ''Ainda é difícil comparar custos, em grande parte porque isso dependeria da escala. Mas é possível prever que os novos usuários poderão economizar com seguros contra acidentes de trabalho, já que as probabilidades de sinistros caem acentuadamente.'' Ele também cogita a negociação para a redução de taxas e impostos com o poder público, em razão da diminuição dos ruídos durante a execução da obra.
Novo isolante Além do novo sistema de concretagem, que ainda permanecerá em estudos por três anos no CSTB, Bazin citou um novo isolante resistente a altas temperaturas que, entre outros usos, poderá ser destinado à produção de portas antifogo.
O produto é uma mistura de agregados minerais com ligantes orgânicos, e apresentou desempenho ''espetacular'', segundo ele. Em testes, resistiu a quatro horas seguidas de aplicação de maçarico. Além disso, demonstrou grande flexibilidade: pode ser moldado e usinado, o que abre um leque de possibilidades de aplicação


