Técnica e experiência no canteiro de obras
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de julho de 2005
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
Tecnologia e desenvolvimento a toda prova e o aprendizado cada vez mais acessível. São ofertas de cursos pela internet, faculdades nas mais variadas áreas espalhadas pelo País e cursos profissionalizantes à disposição. Apesar dessa oferta - nem tão abrangente - e da necessidade escancarada de se ter uma profissão para conseguir um emprego, muitas atividades ainda são exercidas por pessoas com pouco estudo e que contam apenas com a experiência adquirida nos anos de trabalho, como é o caso do mestre-de-obras.
Profissional que tem como característica básica a liderança, os mestres-de-obras, entre outras coisas, são os responsáveis direto pelos funcionários de campo em uma construção, deslocamento de equipes, controle de materiais, cumprimento do cronograma da obra e por fiscalizar os funcionários quanto ao uso dos equipamentos de segurança. As habilidades para exercer essas funções surgem do trabalho diário. Cursos técnicos e de aperfeiçoamento, segundo contam os profissionais, são praticamente inexistentes.
''O aprendizado vem mesmo da prática no dia-a-dia'', afirma o mestre-de-obras Carlos Amadeu, mais conhecido como Carlão, que começou no ramo da construção na década de 60 e tem apenas o primário completo. Com 61 anos de idade, 40 de profissão e 32 trabalhando na mesma empresa, a Construtora Plaenge, o profissional afirma que tal como a maioria dos mestres-de-obras em atividade, chegou à função por conta da experiência. Cursos, diz ele, apenas os oferecidos pela empresa.
A trajetória do mestre-de-obras João da Paixão Pereira, 41 anos, é semelhante. Em atividade há 25 anos, ele começou a trabalhar na construção como servente de pedreiro e com o tempo passou a atuar por conta como empreiteiro. ''Aprendi muito nesse período. Eu assumia uma obra e contratava os operários para trabalhar. Fiquei assim durante 12 anos, até que um engenheiro me convidou para tocar uma edificação como mestre-de-obras, lembra Pereira, que há 8 anos trabalha na Construtora Sertenge.
Com o ensino médio completo, ele conta que tudo o que aprendeu e que o fez chegar à condição de mestre foi na prática. ''Depois de um tempo fiz um curso bastante simples, mas pra mim não fez muita diferença'', lembra. ''Ter estudado me ajudou muito, pois é preciso ter conhecimento de matemática'', conta.
Carência - Dados do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Construção e do Mobiliário de Londrina e Região (Sintracon) apontam que atualmente 50% dos profissionais são mestres tradicionais que aprenderam no dia-a-dia e a outra metade está no processo de qualificação por conta da exigência do mercado. O presidente da entidade, Denílson Pestana, admite que há uma carência de cursos técnicos e de aperfeiçoamento dirigidos a esses profissionais.
O aperfeiçoamento de parte dos mestres, segundo ele, vem por interesse das próprias empresas, as quais visam a implantação dos programas de qualidade na construção. Mas também não atendem a necessidade desses profissionais, que precisam aliar conhecimentos práticos e teóricos em diversas áreas. ''O que acontece são cursos pontuais sobre novos materiais e tecnologias ou cursos para pintor, encanador e outras atividades'', avaliou Pestana.
Para tentar aliviar a necessidade de aperfeiçoamento e atender um mercado cada vez mais exigente, Pestana adiantou que, em parceria com o sindicato patronal, pretende apresentar ainda este ano projeto de qualificação de mão-de-obra em vários segmentos, inclusive para os mestres-de-obras, no qual está previsto a realização de cursos.


