Técnica determina composição do solo
Campos instalados em universidades paranaenses podem detectar a real composição e capacidade de carga do solo urbano
Ligia Barroso
Especial para Folha Imobiliária

Mario Cesar
Carlos Costa Branco e Raquel Teixeira integram a equipe da UELCampos experimentais para estudos e pesquisas científicas do solo serão lançados em Londrina e Curitiba nesta semana. Coordenados por docentes especialistas em construção civil, os novos espaços (hoje uma tendência entre as escolas de engenharia civil do País) atenderão as necessidades acadêmicas de alunos, professores e, em consequência, servirão como parâmetos técnicos a profissionais e empresas da área de construção. Os estudos geotécnicos determinam, pelo resultado das pesquisas de investigação in loco, as características reais de composição dos solos urbanos e sua capacidade de carga.
Em Londrina, uma área de 2.200 metros quadrados, localizada ao lado do Centro de Tecnologia e Urbanismo da Universidade Estadual e que representa, de forma macroscópica o solo londrinense, foi cedida por 10 anos pela institutição para a instalação do Campo Experimental de Engenharia Geotécnica que será oficialmente lançado no próximo dia 15.
Sob a coordenação do docente Carlos José da Costa Branco e direção de três especialistas - Raquel Souza Teixeira, mestre em pesquisa de laboratório; Miriam Gonçalves Miguel, mestre em prova de carga; e José Paulo Pinese, doutor em geologia -, o campo experimental leva o nome do engenheiro Saburo Morimoto, já falecido. Professor emérito da UEL, ele deu sequência, no final dos anos 70, às primeiras pesquisas de solo realizadas no aeroporto da cidade, ainda em 1951, pelo engenheiro Milton Vargas, e que determinaram o residual de basalto como composição do solo londrinense.
Em parceria com a Universidade de Maringá, Unioeste, USP de São Carlos e USP São Paulo (a primeira a montar um campo experimental de pesquisa de solo, em 1989), o campo da UEL está estruturado nos mesmos moldes do Sítio Experimental de Fundações, planejado pelas universidades Federal e Católica do Paraná, CEFET e Núcleo da Associação Brasileira de Mecânica de Solos, em Curitiba, com lançamento na quinta-feira. Os dois novos espaços experimentais parananenses destacam três pontos comuns como principais objetivos de trabalho: a investigação do subsolo, o dimensionamento e execução de fundações, e a verificação do comportamento do solo através do tempo. Só que os profissionais envolvidos esperam respostas para diferentes questões.
Enquanto o solo londrinense, formado por decomposição de rochas com a parte superior composta de argila porosa, não apresenta grandes problemas de desmoronamento mas é altamente colapsível (sofre alterações bruscas com o tempo, apesar de não se romper), o de Curitiba é o inverso. De formação guabirotuba, liso e pegajoso principalmente quando entra em contato com fontes de água, o solo popularmente chamado de ‘‘sabão de caboclo’’, apesar de material duro, rompe com facilidade quando é preciso realizar escavações no subsolo para a execução de estacas.
‘‘A partir de agora será possível determinar, com exatidão, qual a necessidade e capacidade de carga das fundações necessárias às edificações’’, comenta o engenheiro Costa Branco. ‘‘Isto significa melhora do padrão de qualidade para a construção civil, que adotará, pelo resultado de pesquisa, parâmetros reais que geram edificações mais seguras e mais econômicas. São benefícios diretos para os construtores e indiretos, mas concretos, para os consumidores’’.
Antes mesmo dos lançamentos oficiais, os campos de Londrina e Curitiba (este último, instalado em áreas com 1.500 metros quadrados e 2.300 metros quadrados, dentro do Centro Politécnico da UFPR) já estão com os trabalhados de pesquisa adiantados. Com a maioria dos recursos viabilizados junto a empresas privadas brasileiras fornecedoras de produtos e serviços para o setor, tanto o campo da UEL quanto o sítio da UFPR já estão com os furos de sondagem e as estacas (3) executadas. ‘‘A partir de agora, as estacas que serão submetidas a diversos ensaios de prova de carga especificarão os métodos de projetos que representam, com mais realidade e precisão, o material (solo) em suas respectivas áreas de localização’’, enfatiza Alessander Kormann, mestre em geotecnia e um dos coordenadores dos trabalhos de pesquisa no sítio curitibano.

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