Sustentabilidade vai muito além da questão ambiental
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sábado, 29 de setembro de 2007
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
Muito tem se falado em sustentabilidade na construção civil ressaltando o aspecto ambiental, ou seja, o desenvolvimento de produtos que promovam intervenções sobre o meio ambiente sem esgotar os recursos naturais. Contudo, o conceito deve ser pensado de uma forma mais ampla e prática, abarcando também as questões sociais, econômicas e culturais. Esta foi uma das reflexões feitas aos presentes à conferência ''Perspectiva para inovação na construção: sustentabilidade, racionalização e inovação'', proferida pelos engenheiros civis Junker de Assis Grassiotto e Gerson Guariente Junior e pela arquiteta Maria Luíza Grassiotto durante o 1º Congresso Nacional do Ambiente Construído.
Promovido pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon Norte do Paraná) e Universidade Estadual Estadual de Londrina (UEL), com apoio da FOLHA DE LONDRINA, o evento foi realizado entre os dias 25 e 28 de setembro no Centro de Eventos do Catuaí Shopping. A construção sobre o ponto de vista da sustentabilidade, para a promoção do desenvolvimento urbano organizado, e a racionalização dos processos industriais de novos produtos, sistemas e serviços, foram os temas em destaque do congresso.
Maria Luíza defendeu que a cidade sustentável não pode ser monofuncial, mas polinucleada. ''Isso significa criar bairros auto-sustentáveis, multifuncionais, onde os moradores não precisassem se descolar tanto como ocorre atualmente. A consequência disso é uma interação mais racional, confortável e amistosa com ambiente, evitando-se, por exemplo, a utilização de automóveis'', explicou.
De acordo com a coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da UEL,
faz-se necessário a criação de tecnologias que permitam a interação do homem com o ambiente construído. ''Atualmente, não há linguagem para atender uma humanidade que está vendo a morte do meio ambiente e o isolamento das pessoas em fortalezas urbanas'', revelou. A arquiteta sugere que os profissionais desenvolvam novas tecnologias de construção inspirando-se no modelo das cidades medievais, com seus núcleos auto-sustentáveis.''Naquela época, a maioria das construções permitia que as pessoas residissem e trabalhassem, geralmente no comércio, em um mesmo ambiente'', exemplificou.
Para o engenheiro civil e presidente do Sinduscon Norte do Paraná, Junker de Assis Grassiotto, uma obra sustentável é aquela criada tendo em conta a questão da versatilidade, para que possa se adaptar a outras épocas e desta forma seja durável. ''Este conceito deve ser pensado de uma forma mais ampla, abarcando o aspecto social, cultural, da preservação do patrimônio'', reforçou.
Uma outra preocupação atual dos profissionais da arquitetura e construção civil é a utilização racional dos insumos. Segundo Guariente Junior, racionalizar significa compreender o processo de trabalho a fim de economizar nas operações e, desta forma, evitar o desperdício e as possibilidades de erro em uma obra. De acordo com o vice-presidente do Sinduscon, o desafio do setor é descobrir tecnologias duráveis e de qualidade que possibilitem investimentos racionalizados, minimizando as interferências no meio ambiente.
Na avaliação dos engenheiros o congresso propiciou o conhecimento e a discussão de novas experiências, tendências, produtos e tecnologias a nível nacional e internacional. ''Um número expressivo de universitários participou do evento. E eles são ávidos por conhecimento e têm mentalidade mais aberta ao novo. O congresso foi um campo fértil para semear idéias, trocar conhecimento, disseminar novos enfoques e discutir novas tecnologias'' disse Grassiotto.


