Como será a arquitetura do futuro? Com que tipos de materiais serão construídas as novas residências? Quais tecnologias serão aplicadas nos futuros empreendimentos? Quase tudo será possível, segundo arquitetos entrevistados pela FOLHA. De identificação através das digitais ou da leitura da íris a tomadas que poderão recarregar os motocarros 100% elétricos - tudo vai depender apenas do ''bolso'', da necessidade e do interesse de cada um. Um ponto, entretanto, é unanimidade entre os especialistas: a arquitetura do futuro será pautada pela sustentabilidade, com projetos que privilegiem o meio ambiente.
Segundo o arquiteto Christian Steagall-Condé, a maneira de se pensar a arquitetura e projetar as novas edificações já vem sendo alterada há algum tempo e muitas idéias já estão sendo aplicadas e deverão ser cada vez mais ampliadas. ''Já vemos a expansão dos painéis solares, uso de telhas recicladas e madeira certificada, reciclagem da água de chuva e sensores de presença'', destacou Christian. Sem contar a modulação dos projetos e o uso de maquetes eletrônicas.
''Algumas aplicações, como a dos painéis solares para aquecer a água, já acontecem em construções da elite, mas no futuro deverá se popularizar'', enfatizou o arquiteto. Dentro de dez anos, acrescentou ele, as mudanças serão ainda maiores e vão mesclar ações tecnológicas com ecológicas. Entre elas o sensoriamento remoto e a automação parcial. ''A automação será importante e estará ligada à redução do consumo de energia e não apenas ao luxo de poder ligar uma banheira de longe'', exemplificou.
Na próxima década também será intensificada a reciclagem da água, mas o mais importante é que o concreto deverá ser certificado. Outra ação que será destaque dentro de 10 ou 15 anos, conforme Christian, é a rearborização. Nas coberturas dos edifícios, citou ele, serão plantadas árvores, sendo uma forma de equilibrar o meio ambiente. Além disso, será intensificado o uso de turbinas eólicas, que servirá para gerar energia. Os telhados ainda serão construídos com maior índice de reflexão, com coberturas mais claras para refletir mais a luz e absorver menos calor.
Mas o que deverá alterar, e muito, a rotina das pessoas e o desenvolvimento da arquitetura é a chegada de motos e carros 100% elétricos. ''As pessoas poderão recarregar as baterias dos veículos em tomadas domésticas, será um motor muito mais limpo'', frisou o arquiteto. Conforme ele, o design dos carros também será diferenciado, os modelos serão menores - motocarros - com dois ou três lugares, já que as famílias tendem a ser menores.
Fora isso, haverá mudança na estrutura urbana: a fiação elétrica será embutida. ''Essa alternativa chega a ser até 14 vezes mais cara, mas elimina para sempre, por exemplo, a demanda de poda de árvores que também custa caro e atinge diretamente o meio ambiente'', observou.
Daqui a 30 anos também serão criados os biodigestores automáticos e chegará ao fim a coleta de esgoto: uma central em cada residência vai usar o esgoto para gerar gás natural.

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