Sustentabilidade anda na contramão das tendências
Um projeto funcional tem como princípio a sustentabilidade da obra. Ao reduzir-se a utilização de luz artificial em favor da iluminação natural, de condicionadores de ar por ventilação natural, de aquecedores de água elétricos ou a gás pela energia solar se contribui para a preservação dos recursos naturais.
O mercado da construção civil disponibiliza uma infinidade de recursos sustentáveis propícios para transformar as obras em perfeitos santuários ecologicamente corretos. Os aquecedores solares e os coletores de água da chuva são apenas alguns dentre os inúmeros mecanismos existentes. No entanto, nem sempre a sustentabilidade caminha de mãos dadas com as tendências propagadas por alguns setores.
Enquanto a sustentabilidade prega pela economia de luz elétrica, há quem apresente ideias de ambientes que levam inúmeros pontos de luz meramente decorativos. ''Muitas vezes, um ambiente com vários pontos de luz não produz uma iluminação adequada para a leitura pois essa iluminação é difusa'', comenta a arquiteta Marize Cecato.
Hoje em dia são solicitadas, além da iluminação funcional para os ambientes, a dirigida para leitura, a decorativa e a de segurança. O que antes se traduzia em um único ponto de luz instalado bem ao centro dos cômodos, agora se divide em pontos de luz dispersos por todo ambiente. É a inovação andando na contramão da sustentabilidade.
Marize comenta que não é possível frustrar os planos de um cliente que idealizou o ambiente com diversas luzes presentes. No entanto, ela dá uma dica importante que contribui na hora da utilização consciente desta iluminação. ''É preciso separar os interruptores das luzes funcionais e das decorativas. Assim, a pessoa acende a luz de acordo com a sua necessidade e não precisa acender todas de uma vez pois não estão em sistemas interligados nem em interruptores próximos uns dos outros'', recomenda.
Um exemplo de projeto construído levando em consideração os fundamentos da sustentabilidade mas ressaltando as tendências atuais de designer é a obra presente no Resort Aguativa Privilege, desenvolvido por Marize. A obra em questão utilizou vidros e porcelanato, combinados com tijolos, madeira e telhas de cerâmica. Nas áreas sociais o vidro faz a comunicação com a vegetação externa.
''Colocamos cortinas pesadas para atuar como isolante térmico desses vidros em dias mais frios'', comenta. Os quartos possuem tapetes para amenizar a sensação térmica do piso frio e a janela do quarto leva um breeze (estrutura de madeira que reduz a incidência dos raios de sol). No deck externo foi projetada uma cobertura deslizante de policarbonato (vidro sintético) que permite a utilização do espaço mesmo em dias de chuva. Para completar, ainda foi implantado um coletor de água da chuva para reaproveitamento no próprio jardim do empreendimento.
Entre o que dita a tendência e o que prega o sustentável, os arquitetos vão projetando suas obras de arte, sempre atentos às solicitações de seus clientes. ''O exercício da arquitetura está em aliar o lado funcional ao estético, achando o equilíbrio perfeito entre esses dois meios. Se pendemos só para o sustentável não agradamos completamente. Se pendemos só para o estético, deixamos de aplicar conceitos fundamentais de preservação e interação com o ambiente. O equilíbrio é o mais indicado para agradar a todos os envolvidos'', reflete a arquiteta. (M.A.T.)





