Sótão, espaço de magia com mil utilidades
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de fevereiro de 2001
Célia Baroni De Londrina 
O sótão é um lugar mágico. A inclinação do teto, o aconchego do espaço e a altura (perto do céu) sempre seduziu adultos e crianças. Nas histórias infantis é no sótão que as crianças se escondem para brincar e criar seu mundo.
É lá também que os adultos guardam suas recordações, sonhos e coisas que amam e não cabem mais na realidade do dia a dia. Esta linha de pensamento analisa a casa como um corpo único formado por três partes. O porão representa o passado; o térreo, o presente e o sótão o futuro.
Mas se este espaço pode ser importante para o imaginário e construção emocional do ser humano porque ele é tão raro nas casas brasileiras? A resposta aparece no trabalho de conclusão de curso de arquitetura de Robson Naoto Shimizu, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Com o tema Casa : uma breve reflexão sobre o Sonho de Morar, Shimizu defende o sonho da casa e a volta das construções com sótão e porão. Ele explica que faltam sótãos em nossas casas não porque não gostemos da idéia de aproveitar mais este espaço, mas porque em nenhum momento de nossa história nos foi permitido sonhar ou planejar nossa terra.
Em seu trabalho, Shimizu lamenta o esquecimento do sótão até mesmo entre arquitetos. Não há motivos para não projetar um sótão, reforça. A sua inclusão no projeto não significa uma alteração substancial no custo final da obra.
O sótão representa ainda um ganho de espaço efetivo. Uma área com múltiplas utilidades que pode ser adequada para receber desde quartos, ateliê, home office até um home theater. Não há limites para este espaço, frisa.
De quebra, Shimizu faz críticas ao conceito do apartamento que, para ele, é um fator dos mais estressantes na vida do homem moderno. Segundo ele, a forma do apartamento simboliza a era em que vivemos da forma mais triste e fria.
Com os apartamentos, diz, o morar perdeu a verticalidade, fator importantissimo para o desenvolvimento emocional do ser humano. Mesmo no alto e ocupando uma construção verticalizada, diz, o apartamento obriga as pessoas a viverem a realidade o tempo todo.
Não há fuga para cima nem para baixo. A pessoa vive pressionada por paredes e teto. A única opção que sobra é o quarto, o que leva ao isolamento ajudando a tornar o ser humano cada vez mais solitário e com tendência para o egocentrismo, analisa.
Ele argumenta que a casa com sótão cria a circulação de baixo para cima (sobe e desce), forçando a interação contínua da família. Shimizu acredita que, incentivando o imaginário das crianças, a casa com sótão e com porão ajuda na formação de adultos inteiros e maduros.


