O Campo Experimental de Engenharia Geotécnica Professor Saburo Morimoto (CEEG), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), está desenvolvendo uma pesquisa que pode reduzir os custos para a construção civil. De acordo com o coordenador do projeto, professor Carlos José Marques da Costa Branco, do Departamento de Construção Civil da UEL, os primeiros dados da pesquisa apresentam indícios de que o solo de Londrina e região pode possibilitar a redução dos custos de fundação.
‘‘Ainda não temos dados conclusivos, mas as primeiras observações nos autorizam a dizer que há indícios de que o solo da região possibilita a redução dos custos de fundação - sem colocar em risco a segurança da obra’’, destaca o pesquisador, revelando que a prova de carga em estaca, realizada semana passada no CEEG, ultrapassou em 50% a recomendável e a estaca não se rompeu.
Costa Branco revela que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) recomenda que os testes sejam feitos em todas as obras. ‘‘Na prática, entretanto, cada experimento é utilizado para aquele tipo de solo’’, admite o engenheiro, sublinhando que as pesquisas do Campo Experimental da UEL vão possibilitar a definição de métodos utilizáveis em construções de toda a região com solo semelhante ao de Londrina.
Os métodos utilizados hoje são resultado de pesquisas desenvolvidas em grande número em São Paulo. ‘‘Estamos percebendo a possibilidade de o solo de Londrina e região permitir a utilização de estacas menos resistentes do que as recomendadas hoje.’’
O coordenador das pesquisas prevê que o projeto necessite de aproximadamente dez anos de estudos para ser concluído. ‘‘Mas em dois anos já teremos os primeiros resultados conclusivos, que poderão ser utilizados como novo método para a construção civil de toda região com solo semelhante ao de Londrina’’, reforça.
Costa Branco ressalva, entretanto, as dificuldades financeiras para fazer a pesquisa. Ele diz que o projeto foi apresentado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que sequer avaliou o mérito do pedido e respondeu que não poderia financiá-lo simplesmente porque não dispõe de recursos. ‘‘Agora, estamos tentando apoio da Fundação Araucária, instituição do governo do Paraná que financia pesquisas’’, revela o coordenador do projeto. ‘‘Qualquer empresa interessada pode contribuir, através de convênio. O retorno do investimento com a utilização dos conhecimentos gerados pela pesquisa é praticamente certo.’’
O professor ressalta que conta apenas com a boa vontade das professoras Raquel Souza Teixeira, Mirian Gonçalves Miguel, ambas do Departamento de Construção Civil da UEL, e dos professores José Paulo Peccinini, do Departamento de Geociências, também da UEL, e Antônio Belincata, da Universidade Estadual de Maringá (UEM)’’, nomina Costa Branco, acrescentando o apoio de algumas empresas do setor: Geofix, que cedeu as estacas; Engemix, que entrou com o concreto; Basestac, com as estacas de reação; Construeste, concreto para as estacas de reação; Dywdag, que cedeu as barras e tirantes; e também da Construtora Plaenge e da Construbloc. ‘‘A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) também deve participar da pesquisa, mas apenas com professores e estudantes, como a UEM e a própria UEL.’’

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