Sistema garante imóvel desde a planta
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sábado, 18 de abril de 1998
Ligia Barroso 
DivulgaçãoResidencial Villa Verde, de Curitiba, construído através do Plano LeveAcontecimentos como a falência da Encol e o desabamento do Edifício Palace II, com repercussão negativa sobre o mercado imobiliário brasileiro, inclusive no exterior, estão fazendo com que empresários do setor da construção civil busquem, além da implantação de novas tecnologias em sistemas construtivos, tornando seus produtos mais competitivos (redução nos custos finais e aumento da qualidade da obra), também alternativas que assegurem bons negócios, tanto para quem constrói quanto para quem compra um imóvel na planta.
Pensando nisso como emancipação necessária ao setor e no consequente fortalecimento das vendas do Plano Leve, a Construtora Cidadela, de Curitiba, realizou duas operações que beneficiam diretamente ao consumidor. Um acordo entre a construtora e a Sul América Seguros Imobiliários possibilitará que, compradores das unidades habitacionais do Plano Leve, consorciados ou clientes já de posse de uma carta de crédito da empresa, tenham seus imóveis segurados contra qualquer tipo de acidente no curso da obra ou riscos que possam afetar o empreendimento na fase de construção.
O Plano Leve foi criado há três anos e comemora a marca de 1.000 imóveis entregues em Curitiba e região, Foz e Ponta Grossa. O Leve oferece apartamentos de 70 m2, em sistema de condomínio fechado, com pagamento programado em até 120 prestações, sem a necessidade de comprovação de renda.
Além da certeza de recebimento do imóvel, o contrato deste tipo de seguro imobiliário - que não terá custos adicionais ao comprador - prevê a indenização da construtora em caso de morte do comprador, além da garantia de entrega do imóvel, na data prevista em contrato, mesmo em caso de falência da construtora.
O convênio assinado com a Sul América, maior empresa do setor na América Latina, criou ainda condições para que se realizasse a primeira operação de securitização de recebíveis imobiliários, capitados no mercado internacional, por uma construtora brasileira - normativa do recém-implantado Sistema Financeiro Imobiliário, como alternativa do mercado local para captação de dinheiro originário de grupos internacionais que desejam investir no País.
Os recursos, um total de US$ 100 milhões, foram obtidos no mercado norte-americano e serão emitidos em quatro FN26>tranches (número de parcelas) de US$ 25 milhões, entre abril de 98 e novembro de 1999. Deste total, sete milhões de dólares já estão liberados como operação ponte. Segundo o diretor da Cidadela Trust International - empresa criada pelo grupo parananense para o gerenciamento e aplicação destes recursos -, a liberação em parcelas evita que o dinheiro, destinado inclusive à conclusão de cerca de 6 mil apartamentos do Plano Leve, ainda em fase de construção, possa ser utilizado conforme demanda operacional da empresa.
O diretor da Cidadela explica que estes recursos representarão a produção de mais de 18 mil apartamentos do Plano Leve em cidades do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. O público que se pretende atingir são os trabalhadores que têm renda mas não têm como comprová-la, por pertencerem à economia informal, e àqueles que possuem renda de oito a 25 salários, diz Sfaier.
O financiamento do Leve funciona dentro das normas legais existentes e regras fixadas pelo mercado, com a garantia da entrega do imóvel que começa a ser comercializado na planta. A construtora investe em infra-estrutura, desde a terraplenagem, preparação do terreno e as obras. O financiamento do imóvel pode ser feito diretamente com a construtora, sendo a primeira etapa da operação a poupança, que antecede a entrega das chaves do imóvel. Neste etapa, não existe qualquer cobrança de juros. É usado um indexador setorial, neste caso, o CUB - índice de reajuste da construção civil. E, antes da segunda etapa do financiamento, a construtora entrega as chaves para o comprador.
Esta é a razão do sucesso, enfatiza o diretor de planejamento e marketing da Cidadela, Raul Machado Filho. Ele explica: Uma vez iniciadas, as obras dos blocos começam a ser entregues já no 18º mês, e, sucessivamente, no 24º, 30º, 36º e 42º mês. No 48º mês, é concluída a entrega de todos os conjuntos.
Segundo o diretor, o critério que agiliza a velocidade das entregas é o escore. Isto que dizer o seguinte: quanto mais se antecipa as parcelas, mais se capitaliza e se forma uma carteira, que acelera a velocidade dessas entregas. Quando o adquirente já estiver morando em seu imóvel, o saldo devedor é capitalizado em 0,5% ao mês (desde a data do recibo de sinal de negócio) e sobre o restante do prazo, até completar 120 meses, incidirá juro de 1% ao mês, conforme Tabela Price, finaliza Machado Filho.


