O complicado ficou mais simples com os novos sistemas de instalação da rede elétrica e hidráulica. Idealizados para casas e prédios residenciais e comerciais, eles prometem uma obra mais ‘‘limpa’’, ágil, barata e de qualidade. ‘‘As construtoras têm de assimilar a nova tecnologia disponível porque é a única forma delas continuarem competitivas em um mercado cada vez mais exigente’’, afirma o engenheiro Eduardo Bomeisel, da empresa paulista Mastin. Bomeisel falou sobre ‘‘Instalações Elétricas - Bus Way’’, durante a Jornada de Tecnologia Aplicada à Construção.
Desenvolvido pela indústria automobilística americana, o sistema Bus Way foi adaptado para a construção e permite que a instalação elétrica seja colocada de forma linear. Este sistema coloca os condutores em invólucros metálicos modulares, separados com isolantes (material plástico) que permitem a colocação de pontos de derivação a cada 30 centímetros.
O resultado é uma rede elétrica linear versátil, com aproveitamento de material, menor perda de tensão e facilidade de instalação. ‘‘Quanto mais longo, retilínio e maior o número de derivações, mais atrativa é a utilização do sistema’’, analisa. O engenheiro explica que sistema Bus Way é ideal para prédios residenciais. Argumenta, no entanto, que algumas concessionárias de distribuição de energia elétrica resistem ao sistema porque ele dificultaria a leitura do gasto em uma única medição.
A solução, aponta, é colocar medidores em cada andar, viabilizando a medição do gasto de energia unidade por unidade e uma medição centralizada. O condomínio assume a divisão das contas.
Os benefícios do sistema, alerta, podem ser perdidos se não houver uma interação de todos os segmentos envolvidos na realização da obra. ‘‘Os projetos arquitetônico, hidráulico e elétrico precisam ser elaborados em sintonia, cada um prevendo e respondendo à demanda do outro para que a obra caminhe sem contratempos e qualidade’’, argumenta.
Ronald Wysling, da Montana Hidrotécnica Ltda, reforça a postura de Bomeisel. Ele afirma que a falta de planejamento integrado foi viável até metade dos anos 80 quando as construtoras não ganhavam dinheiro construindo, mas especulando com os recursos disponíveis nos vários programas de habitação. ‘‘Com o aumento do custo da mão de obra e do material não é mais possível aceitar quebrar paredes e azulejos para instalar o sistema hidráulico e elétrico’’, diz.
Para ele o sistema construtivo brasileiro ficou parado no tempo 40 anos; culpa da dificuldade de importar material e tecnologia. ‘‘Nos últimos três anos a situação mudou, e finalmente tivemos acesso aos avanços tecnológicos. A empresa que não se adaptar vai perder mercado’’, analisa.
Na área de instalações hidráulicas a alternativa é a instalação vertical da tubulação, através de shafts - caixas embutidas ou não nas paredes. A proposta é o fim da utilização do forro do vizinho em apartamentos para a instalação hidráulica.
Os shafts são perfeitos para serem instalados em paredes do tipo dry wall. Mas se a pessoa for conservadora e não quiser usar este recurso, o shaft pode ser instalado igualmente, criando inclusive um artifício decorativo, a ‘‘bancadinha técnica’’.
O engenheiro Miguel Marchi da empresa Astra S/A, defende que o principal ganho com as novas tecnologias disponíveis na área de instalações elétrica e hidráulica é a obra limpa. ‘‘Se bem planejado, cada equipe de profissionais tem sua hora e vez de entrar na obra. Não interfere no trabalho das outras e realiza seu trabalho em apenas uma etapa, não precisando retornar à obra para restauros’’, esclarece.
No sistema tradicional, exemplifica, demora-se 13 horas para fazer a instalação de um banheiro social completo. Com o sistema Pex - utiliza material especial na tubulação que ganha flexibilidade facilitando colocação e consertos - a instalação pode ser feita em 40 minutos.

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