Arquivo FolhaEdifício construído a preço de custo, em Curitiba: participantes precisam ter o mesmo padrão financeiroO sistema de construção de casas e apartamentos administrados diretamente pelos proprietários e sem a presença das incorporadoras - a construção a ‘‘preço de custo’’, como é chamada -, começa a ser abandonado em Curitiba. Muito utilizado na época em que havia pouco interesse dos bancos em financiar as obras da construção civil, o sistema já foi a alternativa mais barata para quem sonhava em ter um imóvel próprio sem comprometer todo o orçamento. Hoje, com opções mais acessíveis de financiamentos bancários e das próprias construtoras, a diferença no valor final entre um imóvel construído a preço de custo ou pelo sistema tradicional é quase nulo.
‘‘Os problemas nesta modalidade costumam ser tão grandes que às vezes vale mais a pena recorrer à compra financiada’’, afirma corretor de imóveis e gerente comercial da Construtora Irmãs Thá, José Renato Pallu. A construtora, que chegou a fazer mais de 20 edifícios em Curitiba pelo sistema de construção a preço de custo, abandonou a opção depois que os bancos deram mais espaço aos financiamentos imobiliários. ‘‘O preço de custo é uma alternativa interessante, mas só dá certo em casos muitos específicos’’, diz.
Segundo Pallu, quando um prédio ou condomínio é construído a preço de custo, todos os participantes precisam necessariamente ter o mesmo padrão financeiro e o compromisso firme de não abandonar o projeto. Como a construção de uma obra tem custos fixos para serem mantidos, qualquer atraso no cronograma pode gerar prejuízos. ‘‘Se um dos participantes ficar sem dinheiro, a obra corre o risco de ficar parada, encarecendo o valor final do imóvel’’, diz.
O engenheiro civil Carlos Cravo, que chegou a participar de alguns projetos semelhantes, diz que atualmente não aceitaria construir um prédio no sistema de preço de custo, nem sequer compraria um imóvel por esta modalidade. ‘‘Com a instabilidade da economia brasileira, em que o desemprego cada vez assusta mais, é muito arriscado assumir compromissos pesados a longo prazo’’, afirma.
Apesar dos riscos, a administradora de empresas Mônica Moro Becker, diz que somente conseguiu sua casa prórpia graças ao sistema de preço de custo. Junto com 14 colegas de trabalho, ela formou uma poupança utilizada para comprar um terreno e construir um condomínio horizontal. Ela garante que não teve problemas com o desenvolvimento da obra porque as regras do grupo eram muito rigorosas. ‘‘Sempre que recebíamos um aumento de salário, imediatamente repassámos o valor para a poupança conjunta’’, diz.

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