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Mercado imobiliário e construção civil
Avaliar o potencial do mercado imobiliário e da construção civil em Londrina. Estes foram os principais objetivos de uma pesquisa realizada pelo Sebrae (Regional Londrina), cujos resultados foram apresentados na última terça-feira, 20 de março, no auditório do Sinduscon. Diversos construtores, imobiliaristas e profissionais de áreas afins estiveram presentes na apresentação coordenada pelo consultor da Brain Bureau de Inteligência Corporativa e analista de projetos e mercado, Henrique Lago, e pelo consultor e docente Marcos Kahtalian.
Os profissionais explicaram que os estudos se basearam em observação direta e pesquisa primária junto a intermediários de mercado, bem como com o cruzamento de informações e dados secundários de órgãos responsáveis. Também foi realizada, por meio de institutos competentes, uma análise geo-demográfica dos bairros de Londrina.
Dados importantes
Na ocasião foram apresentados importantes dados sócio econômicos de Londrina. A cidade, de aproximadamente 500 mil habitantes, possui 56 bairros e cinco macrorregiões: norte, sul, leste, oeste e centro, sendo a norte a região de maior concentração com 25,26% do total. A média do município é de 3,49 habitantes por domicílio. Segundo levantamento realizado a renda média da cidade é de 4,56 salários mínimos. Quanto ao crescimento populacional conclui-se que este não é homogêneo.
Durante a apresentação foi abordado o déficit habitacional do Paraná e de Londrina. Entende-se por déficit habitacional as habitações que não oferecem condições adequadas aos seus moradores. No Brasil 90% do déficit concentra-se na população de baixa renda. No Paraná o déficit habitacional é de aproximadamente 200.000 unidades, sendo que Curitiba concentra 37,5% deste número com 75.000 unidades com déficit. Segundo a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), em 2003, o déficit habitacional da cidade era de 8.550 unidades e 42.926 habitantes.
Desempenho do mercado imobiliário
Em Londrina está havendo uma diminuição gradativa de projetos para casas com menos de 80 metros quadrados, o que mostra o aumento da construção de casas voltadas para à classe média com construções maiores e edificações residenciais coletivas. Acredita-se que haverá um pequeno acréscimo da oferta de unidades residenciais e comerciais em edifícios nos próximos dois anos.
Uma das características de Londrina é a verticalização, considerando o fato de ocupar e sexta posição no Brasil em número de edifícios acima de 12 pavimentos. Nos últimos seis anos Londrina manteve uma média de 27,60% do total de liberações para edifícios, tanto residenciais como comerciais. Atualmente existem 17 edifícios em construção na cidade, demonstrando que haverá uma quantidade maior de oferta de unidades residenciais e comerciais nos próximos dois anos.
Mais resultados
Após pesquisa realizada nas imobiliárias Raul Fulgêncio, Atual, Mônaco, Menezes, Santamérica e CRV, constatou-se que há oferta de 1.137 unidades para venda entre casas, apartamentos, terrenos e unidades comerciais. A concentração é de ofertas em imóveis de três dormitórios. Vale ressaltar que o grande destaque de ofertas de apartamentos fica no centro da cidade com 51,28% do total de ofertas, seguido da Gleba Palhano com 17,91% e Jardim Higienópolis com 7,69%.
Atualmente a região mais valorizada é a Gleba Palhano possuindo preço médio de R$1.245,26, o que chega a ser 37,36% maior que um apartamento com as mesmas características.
Pode-se dizer que o mercado da construção civil em Londrina é sustentável, apresentando um equilíbrio entre oferta de novos produtos e procura. Porém este equilíbrio é muito sustentável e a demanda pode ser facilmente saturada.
A dificuldade que o mercado encontra em Londrina é de aumentar o número de unidades e o preço de venda que é abaixo da média nacional. Não existe problemas para vender as unidades produzidas.
Construções populares
Uma das principais dificuldades na construção de casas populares são os impostos. A carga tributária que incide sobre a construção de uma casa popular é superior a 40%. É importante considerar que na construção popular o terreno é algo que pode ser doado pelo prefeitura. Neste segmento é necessário um baixo custo e alto volume para obter ganhos. O custo de uma casa é de aproximadamente R$ 31.400,00.
De acordo com dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) 90% do déficit habitacional concentra-se em famílias com renda de até cinco salários mínimos. A região norte de Londrina, que concentra 56,19% da população, ganha até três salários. Tal constatação demonstra que a cidade tem um ótimo potencial para construção de moradias populares.
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