Ligia Barroso
De Londrina
Qual a tendência do setor? Que produto atrai o poupador? Que medidas políticas adotar para o fortalecimento da indústria da construção em busca da retomada do crescimento ou da sobrevivência em economia frágil e mercado altamente competitivo?
A discussão de questões que tornem compreensível a situação vivida hoje pela construção e mercado imobiliário brasileiro em universo de mudanças foi estratégia encontrada pelo SindusCon São Paulo, para reunir 450 empresários do setor, políticos e profissionais da área e comemorar os 65 anos de fundação da entidade.
Do seminário ‘‘A Construção no Cenário Econômico e Político no País’’, realizado em 22 de setembro, no Maksoud Plaza, participaram como palestrantes convidados os jornalistas econômicos Joelmir Betting e Luiz Nassif e o ex-ministro Ciro Gomes. Entre as lideranças do setor e presidentes das entidades representativas da construção civil, estiveram juntos na coordenação dos trabalhos, Luís Roberto Ponte (CBIC), Ricardo Yazbek (CII/CBIC), o presidente do SindusCon-SP, Sergio Porto, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil-SP, Antonio Ramalho; Walter Lafemina (Secovi-SP), Paulo Godoy (Apeop) e Marcio Barbado (Habicamp). Do Paraná, o presidente do Sinduscon Norte, Clóvis Souza Coelho e Hudson Bonomo, presidente do Secovi.
Do jornalista Joelmir Betting, os empresários ouviram – com alívio – que o cenário para o mais importante dos ajustes, o monetário, já está montado: ‘‘começa pela redução dos juros, com aumento da oferta de crédito, evoluindo para o fim da indexação pela TR nos contratos financeiros. Assim que isso ocorrer, aumentam suas atividades os setores como a construção civil, que já dispõe do SFI, um mecanismo de financiamento independente do governo, e o turismo’’.
‘‘O caminho é agregar valor ao imóvel no desenvolvimento do projeto, na administração da produção e manutenção e até na sua futura reciclagem. O capital internacional deverá montar aqui fundos que comprarão e locarão imóveis. A participação dos investidores nesses fundos será mais interessante que a propriedade do imóvel’’, avaliou Luiz Nassif.
Apontando as tendências do setor, Nassif disse que ‘‘para enfrentar os desafios as construtoras terão que dispor de bons projetistas, gerentes financeiros e de marketing, e qualidade. Além disso, diante da concorrência estrangeira, formar cooperativas de construtoras marcadas pela qualidade de todos os parceiros, ampliar a circulação interna de informações e o desenvolvimento de fornecedores como parceiros.’’
A parceria entre os empresários da indústria da construção, movidos pela união entre as entidades representativas do setor, foi ponto essencial para deflagrar um movimento em prol da organização do setor produtivo da construção.
‘‘A mobilização de todo o setor é que vai dar subsídios para que o governo tenha condições de analisar o que realmente está acontecendo com a indústria da constução civil’’, argumenta o presidente do Sinduscon Norte do Paraná, Clóvis Coelho, e um dos articulares desta proposta de sensibilização do empresariado através dos sindicatos e entidades representativas do setor imobiliário no país.
A questão tomou força depois que alguns construtores ouviram o óbvio à pergunta feita ao líder da Força Sindical, Paulinho Pereira, de como a indústria automobilística e seus funcionários conseguiram tantas conquistas junto ao governo: ‘‘Porque o setor automotivo é organizado.’’.

mockup