Flexibilizar as leis trabalhistas e fazer de verdade a reforma tributária foram as duas condicionantes dos representantes da indústria da construção civil para que o setor cresça e fomente a geração de 1,1 milhão de empregos a cada ano, como previa uma das principais metas assinaladas na proposta do Fórum da Competitividade, instalado em maio do ano passado pelo governo federal para analisar os problemas e as soluções para a cadeia produtiva da construção civil brasileira.
Reunidos em Brasília (dias 16 e 17), durante o seminário nacional ‘‘Construção Civil em Busca de Competitividade’’, empresários do setor e representantes de entidades de desenvolvimento tecnológico fizeram coro à necessidade urgente de mudanças. Segundo eles, os preços de vendas do setor imobiliário caíram entre 30% e 35% abaixo do histórico, nos últimos dez anos, em razão justamente dos juros elevados, das exigências feitas pelo comprador e incompatíveis com o estágio tecnológico atual – melhor qualidade e menor preço –, o alto custo dos encargos trabalhistas para um setor que opera com muita rotatividade e a pesada carga tributária. Sobre este último: estudo realizado no final do ano passado pelo Secovi-SP apontu uma carga tributária correspondente a 38,28% do total investido quando a incorporação é realizada com recursos próprios; volume pode chegar a quase 63% quando os recursos disponibilizados são captados através de financiamento à produção.
Com a imersão no tema competitividade, os participantes, mesmo insatisfeitos com as questões macroeconômicas, também abordaram a importância do desenvolvimento de tecnologias alternativas e da manutenção da qualidade dos processos e produtos inseridos na cadeia produtiva da construção civil brasileira.
Focados no empenho pela melhor qualificação de mão-de-obra, na obtenção de recursos e na aplicação de tecnologias cada vez mais produtivas e também mais econômicas, profissionais e pesquisadores do setor apelaram para que todos os integrantes da cadeia produtiva sintam-se responsáveis diante dos desafios originários do processo acelerado de urbanização, bem como quanto ao favorecimento de situações com vistas à criatividade e ao uso inteligente do conhecimento adquirido.
A secretária de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação (órgão promotor do seminário nacional), Ivelise Longhi, afirmou que a questão do déficit habitacional brasileiro excede problemas de ‘‘moradia em si’’, mas também se relaciona com a ausência de políticas que melhorem a qualidade de vida das pessoas. Segundo ela, nesta discussão cabem reformas de casas, de ruas e cidades.
Da teoria à prática, a secretária falou sobre o Projeto Inovar, um programa para a difusão de tecnologias e material de construção diferentes para a habitação popular implantando em 99, e que está prestes a entregar 85 casas (43 m2 e 50 m2), em Brasília. Entre as alternativas para baratear o custo das moradias (custo médio de R$ 16 mil) foram utilizadas placas de concreto fabricadas com entulho de arroz mineralizado, blocos de concreto feitos de entulho de obras e painéis de isopor com argamassa armada para a construção de forros e vedações, e um perfil de extrusão a partir de resíduos de material plástico.

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