Ligia Barroso
De Londrina
Desde meados do ano passado, previa-se que 99 não seria um ano nada fácil para a indústria imobiliária. Escassez de recursos para financiar a produção de novos empreendimentos, manutenção de juros ainda altos para o setor que trabalha com operações de longo prazo, aumento no custo dos insumos e a falta de uma política para o setor da construção eram apontadas como as maiores dificuldades a ser enfrentadas.
Agora, em época de balanço, as análises confirmam as previsões anteriores. Mas os dados também revelam como boas, as expectativas para um novo ano – continuidade no crescimento, lento mas promissor. Pois, apesar ou por causa das dificuldades, este foi um ano que gerou uma especial mobilização da classe empresarial do setor. Mais unida, ficou mais forte e, otimista, prevê maiores ganhos para o ano 2000.
No Paraná, onde a construção civil contribui com 6% do PIB do Estado, que é de R$ 54 bilhões, a expectativa também é de manutenção do crescimento, sustentado justamente pela retomada da produção (retraída mas nunca paralisada), já iniciada neste segundo mestre. Em Curitiba, por exemplo, foram liberados, de janeiro a setembro deste ano, 2.472 alvarás para a construção de 1,5 milhão de metros quadrados – um aumento de 41% em comparação ao mesmo período do ano passado.
No balanço apresentado pelo Sinduscon Paraná, somam-se outros números que revelam importantes dados para o mercado. Em 99, apesar da redução de 21% no número de unidades construídas e entregues em Curitiba (do total de 8,03 mil, 7,3 mil foram destinadas oara uso residencial e 675 para fins comerciais) constatou-se, na capital, o mesmo fator ocorrido em diversas cidades do Estado: o crescimento acentuado no número de construções residenciais isoladas e de condomínios horizontais menos sofisticados.
Mais fáceis de serem comercializados do que os prédios residenciais, segundo os empreendedores deste tipo de construção, os condomínios horizontais ajudam a fortalecer um novo nicho de mercado criado pelas facilidades de financiamento atuais, que beneficiam diretamente o consumidor final, que, em função disso, adquiriu maior poder para a construção (individual) da casa própria.
Em Curitiba, a construção residencial horizontal – isolada e em série – representou 70% do total de imóveis concluídos este ano e 83% dos alvarás concedidos até outubro pela Secretaria de Urbanismo. Em Londrina não foi diferente. Dos quase (poucos) 421 mil metros quadrados liberados para construção até setembro, 195 mil correspondem à construção de 322 unidades residenciais com mais de 80 m2 cada e outras 75 casas de menor tamanho.
No conjunto de dados, outros significativos números que demonstram a recuperação do setor. Em Campo Mourão, a Secretaria de Obras aprova uma média de 2,9 novos projetos a cada dia útil; o mercado imobiliário de Cascavel, registrou crescimento de 12% no volume de negócios imobiliários nos primeiros dez meses do ano e espera fechar 99 somando outros 3%; e Maringá, demonstra em gráficos de campanhas para o consumidor investidor, que o setor cresce, ano a ano.Classe empresarial prevê maiores ganhos no novo ano e a manutenção do crescimento lento mas promissor, sustentado pela retomada da produção
Paulo Wolfgang/Arquivo FolhaOTIMISMONo Paraná, a construção civil contribui com 6% do PIB do Estado, que é de R$ 54 bilhões

mockup