São Paulo - Os recordes sucessivos das vendas externas de bens e commodities estão animando os empresários da área de serviços de engenharia e construção. Frente ao sucesso das exportações brasileiras nos últimos meses, o setor está determinado a se mobilizar para quadriplicar suas exportações da atual média anual de US$ 1 bilhão para US$ 4 bilhões até 2007, um volume já obtido em anos anteriores, sobretudo na década de 1970.
Se depender exclusivamente da experiência do setor privado, não se trata de uma meta difícil de ser atingida. Afinal, o potencial mundial de compras de serviços de engenharia é da ordem de US$ 3,5 trilhões. E o Brasil já teve anos de ouro. No período de 1958 a 1984, com destaque para os anos 1970, empresas brasileiras de grande porte realizaram 440 contratos, incluindo uma ferrovia no Iraque, duas rodovias na Mauritânia e a construção da infra-estrutura de telecomunicações da Nigéria.
A revista especializada norte-americana Engineering News Record mostra que a participação brasileira no total dos contratos das 225 empresas de construção que mais exportaram foi de 0,87% em 2002, mas já alcançou média em torno de 1,55% nos anos 1970 e parte dos 1980. A mesma publicação mostra que a participação brasileira no total dos contratos das 200 maiores exportadoras de serviços de consultoria foi de apenas 0,03% em 2000, último dado disponível. ''Não podemos esquecer que, quando se fala de experiência, que a engenharia brasileira também fez Itaipu'', lembra Antonio Orlando Volpato, gerente-geral da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop), ressaltando que se trata da maior hidrelétrica do mundo, pelo menos até a inauguração de Três Gargantas, na China.
Só que os anos dourados das exportações de serviços de engenharia chegaram ao fim na segunda metade dos anos 1980. Nessa época, aconteceu o que Volpato chama de fragilização do setor, por conta da queda do financiamento aos projetos. A partir dos últimos anos do governo Fernando Henrique Cardoso, quando Brasília começou a dar ênfase às exportações, o setor voltou a reunir forças para tentar derrubar os entraves às vendas externas. ''Agora, a cadeia e o MDIC falam a mesma linguagem, e os objetivos convergem'', diz Volpato.
Tanto assim, que o Ministério das Relações Exteriores, que trabalha junto com o MDIC na promoção comercial, está solicitando às empresas brasileiras que estejam desenvolvendo projetos de engenharia e construção no exterior, particularmente no Oriente Médio, que contatem o diretor do Departamento de Promoção Comercial daquele Ministério, Mario Vilalva. O objetivo do Itamaraty é habilitar as embaixadas do Brasil a divulgar melhor a excelência da engenharia brasileira no exterior. E-mail [email protected]

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