A exemplo de outros setores, como o de papel, vidros e alumínio, que reciclam seus resíduos, a construção civil começa a se preocupar com o reaproveitamento dos diversos tipos de material utilizados em obras. A escassez de agregados naturais e a preservação do meio ambiente são os principais propulsores das novas soluções.
Segundo o engenheiro e professor Vanderley John, do Departamento de Engenharia Civil da Poli-USP, e um dos profissionais da instituição responsáveis pelas pesquisas sobre a reciclagem para o setor, a construção civil é a maior consumidora de matérias-primas na economia. ‘‘Praticamente todas as matérias-primas possuem aplicação nesse setor, inclusive os resíduos’’, ressalta.
Algumas experiências de reciclagem – que têm sido feitas com sucesso, no Brasil – foram apresentadas recentemente em um simpósio promovido pelo Comitê Técnico para o Meio Ambiente do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon), em São Paulo. Uma dessas experiências é a Central de Entulhos, criada em Belo Horizonte. Em vez de ser lançado em áreas proibidas ou em aterros, o entulho passa por processo de britagem e é reaproveitado como agregado na confecção de concretos com resistência de 15 MPa – resultados preliminares indicam que o concreto de material reciclado apresenta comportamento adequado em obras de até 12 pavimentos.
De acordo com o pesquisador da USP, o material reciclado oferece ainda alternativa para a escassez de agregados naturais próximos às grandes cidades. ‘‘No caso de São Paulo, onde existe dificuldade para encontrar areia de boa qualidade para a construção civil na região, a areia é trazida de locais cada vez mais distantes, pesando no custo final da obra.’’
Vanderley John diz que o problema pode ser contornado com o reaproveitamento dos resíduos de pedreiras. ‘‘Conhecidos como finos, têm largo aproveitamento na produção de concreto, desde que efetuadas correções para tratar grãos mais angulosos’’, explica. Duas pedreiras de São Paulo já reaproveitam os finos – a Embu para a confecção de concreto, e a MGA como agregado em pavimentos. E, em muitas siderúrgicas, os rejeitos, conhecidos como escória de alto-forno, são usados também na produção de cimento – a marca Portland é uma delas.
Pesquisadores da Poli-USP mantém atualizada uma página, no site da universidade, com artigos técnicos sobre o tema – www.reciclagem.pcc.usp.br.