Sem sonhos e sem raízes
O padrão de nossa arquitetura está nas casas térreas e espalhadas. Elas têm seu maior exemplo nas casas de fazenda coloniais e são produto de nossa história. Eram assim construídas porque podiam ser erguidas rapidamente e desmontadas com a mesma facilidade. Sem raízes, sem sonhos de futuro no local e sempre prontas para partir.
A questão não é o clima, mas a transitoriedade que os colonos sempre viram em nossas terras. Desde sempre, as casas aqui construídas tinham como única função abrigar provisoriamente as famílias. Não precisavam de porão nem de sótão, como as casas que os esperavam na terra natal.
Também encontram explicação na história a opção do uso da lage e desperdício do espaço entre ela e o teto. Sobrava espaço no novo país, por isto não havia necessidade de planejar, só tempo para trabalhar a realidade de cada dia.
A falta de profissionais que dominassem as técnicas de construção adequadas também ajudou. Havia poucos marcineiros mas, na minha avaliação, isto não foi definitivo. De qualquer forma não havia demanda por nada que fosse definitivo, diz Robson Naoto Shimizu, arquiteto formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). (C.B.)





