Orgulhosos. Assim estão se sentindo Manoel de Oliveira (59 anos) e Jesuíno Gonçalves (54 anos). Trabalhando com construção civil há mais de 20 anos, esta é a primeira vez que sentam sem um banco de escola para aprender. ‘‘Nome escrito, só porque é decorado’’, diz seo Manoel.
‘‘Se eu tivesse tido esta oportunidade há mais tempo, hoje eu podia ser um mestre ou, quem sabe, até médico’’, argumenta Expedito Vitor dos Santos. Pedreiro há 25 anos, ele agora é também um atento aluno da 3ªsérie do Telecurso. Assim como ele, José Cândido Carlos, com os mesmos 40 anos de idade, também já frequentou uma escola. ‘‘Só que, quando criança, não prestamos muita atenção. Além disso, parei aos 12, 13 anos, porque tinha meu trabalho na roça. Leio tudo, mas às vezes, pra escrever me faltam algumas letras’’, diz José.
Maior facilidade em recordar todo o alfabeto e melhor manuseio do lápis têm outros alunos. Mais novos e com idade entre 20 e 30 anos, já frequentaram a escola e agora, matriculados na 4ªsérie, incentivam os colegas de profissão para que, em poucos meses, todos possam realizar as provas (correspondentes a cada ano letivo e aplicadas pelo CES), ganhar o certificado, melhorar o desempenho profissional e a qualidade de vida.
‘‘Eu não falo por mim, que daqui a pouco estou me aposentando’’, diz o mais velho da turma, ‘‘mais os novos têm que saber muito, têm que aprender sério as coisas, porque o mundo hoje é muito diferente, exige muita inteligência pra tudo. E isso é em qualquer lugar, até mesmo para assentar tijolo, levantar parede’’, conclui seo Manoel, sentado tranquilo na primeira fila da sala. (L.B.)

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