''O mercado imobiliário da cidade de São Paulo enfrentou várias dificuldades este ano, na esteira dos resultados do setor em 2001. No ano passado, depois de um excelente primeiro semestre (com incremento de até 30% no volume de unidades vendidas, motivado pela expectativa de estabilidade econômica e redução da taxa de juros), a indústria imobiliária teve de encarar a reversão dessa trajetória nos seis meses que se sucederam. Racionamento de energia elétrica, crise da Argentina, atentados terroristas e alta do dólar fizeram com que o segmento fechasse o ano com queda de 5%. Para 2002, os prognósticos eram de melhoria desse cenário. Apesar de se tratar de ano eleitoral, a previsão era de crescimento de 10% no total de imóveis comercializados, o que se confirmou apenas em parte''. A análise é do presidente Secovi-SP, Romeu Chap Chap.
''A indústria imobiliária espera uma revolução na política habitacional'', afirmou Chap Chap, ao avaliar as expectativas do setor para 2003. Segundo o dirigente, há motivos consistentes para um prognóstico otimista: ''Em âmbito federal, o desenho do Projeto Moradia contém diretrizes consistentes e um ministério para garantir sua viabilidade'', disse. O atual cenário, continuou Chap Chap, não permite estimar, em porcentagens, qual o resultado esperado pelo mercado imobiliário em 2003. ''As expectativas, porém, são positivas'', conclui.
Na análise anual de comportamento do mercado, o Secovi-SP avaliou que a quantidade de unidades comercializadas ficou aquém do projetado: incremento de apenas 3% a 4% em relação ao exercício anterior (estimativa de 14.700 unidades, contra 14.123 em 2001). O Índice de Velocidade de Vendas no ano (IVV/Pesquisa Secovi, que mede a quantidade de imóveis novos comercializados sobre o total colocado à venda a cada mês) alcançou os 10% de aumento previsto, relativamente a 2001, com ritmo médio de 8,4%, contra 7,6%;
O nível de atividades foi considerado satisfatório no segmento de baixa renda (recursos do FGTS) e surpreendente no alto padrão (recursos próprios) as unidades de quatro ou mais dormitórios se destacaram em termos de vendas (participação média do segmento saltou de 12% para 25% na totalidade do mercado) e de lançamentos (aumento de 109% em relação a ao ano passado). A classe média permaneceu desatendida, principalmente pela falta de financiamentos.
Houve redução de 12% no volume de lançamentos residenciais, em comparação com 2001. O volume de negócios, em reais, cresceu 40% em relação a 2001 (R$ 3,67 bilhões de janeiro a outubro de 2002, contra R$ 2,5 bilhões). A maior demanda está na classe média (imóveis de dois ou três dormitórios). O volume de plantas aprovadas na Prefeitura de São Paulo registrou incremento de 40% em relação a 2001.
Nos leilões realizados pelos bancos privados, foram comercializados R$ 640 milhões. Também houve significativo desenvolvimento dos Fundos de Investimento Imobiliário, que tiveram incremento da ordem de 186% (criação de 41 fundos este ano, que somados aos 22 já existentes em 2001, totalizam patrimônio de R$ 1,9 bilhão).
Em âmbito nacional, o número de financiamentos habitacionais concedidos por bancos privados (SBPE) registrou o menor volume desde 1980: apenas 23 mil unidades (janeiro a outubro). Queda estimada de 27% relativamente a igual período de 2001. No que diz respeito à habitação popular, os financiamentos com recursos do FGTS totalizaram 189 mil unidades, o que representou redução de 0,6% relativamente a igual período de 2001.

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