Arranjar tempo para sentar-se a mesa para almoçar e jantar nos tempos de hoje é quase uma façanha. Mas, segundo o decorador Sandro Castro, a grande maioria das famílias ainda faz questão de preservar um espaço da casa ou apartamento, independente do tamanho, para a sala de jantar. ‘‘Fazer refeições em uma bancada ou no sofá é um hábito que se ajusta bem aos casais sem filhos e a pessoas solteiras, mas não conquistou as famílias’’, acredita.
Ele lembra que as salas de jantar sempre foram um lugar formal. A predominância de mesas retangulares, por exemplo, é um reflexo da cultura que determinava o respeito a hierarquia familiar até na hora das refeições. O chefe da casa sentava-se sempre na ponta da mesa e era comum cada membro da família ter seu lugar fixo.
Nessa proposta, as linhas simples no desenho da mesa permitem outras ‘‘ousadias’’ no ambienteOs tempos modernos, no entanto, forçaram algumas mudanças, flexibilizando as relações familiares. Algumas pessoas ainda pedem uma sala de jantar mais formal, acrescenta, mas a formalidade está em extinção. Castro afirma que mesmo quem opta por uma sala de jantar mais conservadora, quer um espaço ‘‘usável’’ e não apenas decorativo, para visitas.
Nas residências, o primeiro a sentir os reflexos das novas exigências sociais e econômicas foram os livings - salas de estar. Elas eram decoradas para receber visitas e nunca utilizadas para outros fins. ‘‘Hoje, com o encarecimento do espaço, mesmo as famílias com mais poder aquisitivo preferem aproveitar todos os ambientes’’, esclarece. Os livings se transformaram em ‘‘salas de conviver’’.
O mesmo vem acontecendo com as salas de jantar, reforça Castro. As portas da sala de jantar foram abertas para as refeições familiares do dia a dia. A transformação da antiga copa em sala de jantar, diz, está entre as soluções mais utilizadas por quem não tem espaço sobrando. Próxima da cozinha, a copa recebe tratamento para se adequar à nova função. ‘‘Papel de parede e cortinas, estão entre as preferências para modificar o ambiente’’, exemplifica Castro.
A proposta atual, é tirar a pompa das refeições feitas à mesa, sem perder a elegância. Por isto, a versatilidade se aplica também na hora de decorar a sala de jantar que tem de ser meio camaleoa; se adaptando a uma refeição do dia a dia, da mesma forma que a um jantar requintado. A solução, diz Castro, é abusar das linhas simples no desenho da mesa para poder ‘‘ousar’’ mais nas cadeiras e no resto do ambiente, sem perder o equilíbrio das formas.
As cadeiras das salas de jantar, complementa, também tiveram de se adaptar aos novos tempos. ‘‘As pessoas não tem mais tempo de se demorar a mesa. Querem preservar o ritual por ser um dos raros momentos de união familiar, mas precisaram adaptar-se a refeições mais rápidas’’, comenta. As cadeiras ganharam um perfil mais alongado, pernas finas e detalhes em tecido para ficar confortáveis, mas sem exageros.
‘‘Com a grande gama de materiais alternativos, o arquiteto e decorador tem a obrigação de ser criativo e encontrar a melhor solução para cada ambiente’’, afirma. Um exemplo são as fibras naturais que ganharam espaço dentro das casas, principalmente nas salas de jantar. Antes elas o seu uso era permitido apenas em locais mais descontraídos como jardins, varandas e sacadas.

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