Para os adeptos do Feng Shui acaba de chegar ao mercado uma linha de luminárias produzidas com elementos naturais - ferro, cristal, folhas de de bananeira e pergaminho - nas versões abajur e tocheiro. Os novos produtos foram concebidos segundo as técnicas básicas da milenar arte chinesa pela designer e também consultora do assunto, Marilena Gonçalves.
Ela conta que os primeiros estudos sobre o Feng Shui - que significa literalmente vento e água - datam da China, há mais de 5 mil anos. A técnica era segredo de Estado: somente os governantes, responsáveis pela edificação das cidades, é que tinham acesso a ele. Banida da China comunista, a prática continuou florescendo em Hong Kong e Taiwan. Chegou ao Ocidente trazida por monges tibetanos que emigraram para os Estados Unidos e pelos funcionários de empresas multinacionais com filiais no Extremo Oriente. Já chegou até na Casa Branca segundo artigo da revista Time, que informou que um especialista chinês sugeriu uma reforma no escritório de Bill Clinton (é bem provável que Clinton não tenha levado a sério os preceitos do Feng Shui).
A prática atravessou o Atlântico, chegando na Europa: virou moda entre os ingleses. Empresas de grande porte como - a Marks & Spencer (a maior rede de lojas de departamentos do país), a Orange (setor de telefonia celular) e a Virgin (poderoso império de lojas de disco) estão seguindo seus preceitos.
‘‘Para os praticantes do Feng Shui, a arquitetura e disposição dos móveis e objetos influenciam na quantidade de energia positiva presente no interior de uma casa, chegando a determinar a qualidade de vida de seus moradores’’, explica a designer.
‘‘Na teoria o Feng Shui parte do ch’i, energia vital que existe em nós e no meio ambiente. Em outras palavras, os especialistas exemplificam: como a boa circulação do sangue em um corpo sadio, quando o ch’i flui suavemente em casa, os resultados são positivos. Já a energia bloqueada resultará em doenças, brigas, falta de dinheiro’’, completa.
Segundo a especialista, apesar de complexo não é necessário ser um mestre chinês para utilizar a milenar arte, nem tampouco derrubar a casa para eliminar problemas que geram energia negativa, o sha.
Existem princípios de fácil aplicação. Por exemplo, espelhos, biombos, cristais, harpas eólias, luminárias especiais, pequenas fontes e plantas colocados em locais estratégicos. Todos esses objetos estimulam a energia positiva podendo ser comparados com as agulhas da acupuntura, que reequilibram o ch’i do paciente.
Para os céticos, que rotulam tudo de pura superstição, Marilena Gonçalves lembra que, hoje em dia, a acupuntura é aceita como ciência, e não mais uma ‘‘excentricidade’’.

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