Rodovias de concreto e aço
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de setembro de 1998
Ligia Barroso 
Tecnologia inédita no País para a pavimentação de estradas, o método desenvolvido pela Gerdau, que consiste na aplicação de armações em tela de aço no interior de pistas de concreto e usado há algumas décadas na Europa e nos Estados Unidos, foi testada e aprovada em rodovia parananense - nos três quilômetros que ligam a Companhia de Cimento Itambé, região metropolitana de Curitiba, à BR-277.
O processo utiliza concreto estruturalmente armado e substitui técnicas convencionais aplicadas no Brasil desde o início do século. Além da redução de custos de implantação e de manutenção, a tecnologia de vanguarda proporciona maior segurança para o tráfego tanto quando comparado ao pavimento asfáltico tradicional quanto em relação ao concreto simples.
Para ser introduzida no mercado nacional, exigiu adaptações às condições particulares do solo e do clima brasileiro. O trabalho de pesquisa durou dois anos com investimentos de US$ 1 milhão, e todo o processo foi desenvolvido pela Unidade de Negócios Gerdau Aço/Construção Civil - responsável por 58% do total das vendas físicas da empresa, sob coordenação do diretor executivo Carlos Johannpeter.
Segundo Johannpeter, o pavimento concreto armado reduz em até 20% os custos de implantação e aumenta o período para manutenção de cinco para 30 anos. Além disso, não apresenta deterioração sob a ação de chuvas, óleos, conbustíveis e tráfego intenso. É mais seguro, exigindo menor espaço para freagem, proporciona maior visibilidade noturna e rodagem mais confortável com menor consumo de combustível, argumenta.
Outras vantagens: além das rodovias (que dependendo do sistema de cura pode ser liberada em 18 horas), o pavimento em concreto estruturalmente armado pode ser aplicado em avenidas, estacionamentos, aeroportos, indústrias e outras áreas que exigem pisos de alta resistência. Sem contar nos benefícios diretos aos proprietários de veículos em trânsito nas rodovidas brasileiras. Primeiro que este método pode ajudar no combate às perdas de US$ 3 bilhões anuais ocorridas ao transporte de cargas no País, pela má conservação das estradas brasileiras. E segundo, estradas ruins aumentam em 100% o tempo gasto com transporte de cargas e em 50% o número de acidentes e o consumo de combustível em veículos de passeio, enfatiza Johannpeter.
A falta de tradição de construção de estradas em concreto no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), está associada à pequena produção de cimento na década de 50, período que delineou as tendências do desenvolvimento nacional. Época em que o País produzia menos de 3 milhões de toneladas anuais. Para 1998, entretanto, a previsão é que o volume atinja 40 milhões de toneladas. Portanto há cimento disponível para uso nessas obras vitais, finaliza.


