Revisitando estilos
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de fevereiro de 1999
Simone Mattos 
Os clássicos são eternos, mas eles hoje precisam ser adaptados aos ambientes modernos. Quem ensina é um dos mais conceituados arquitetos paranaenses, Rodolfo Doubek, há mais de 30 anos na profissão. Ele afirma que os móveis antigos e contemporâneos convivem bem e podem criar espaços harmoniosos na decoração.
Segundo Rodolfo Doubek, o clássico é sempre admirado e cultuado, mas a tendência é que os ambientes sejam cada vez mais contemporâneos. Os apartamentos estão cada vez menores, os pés-direitos não têm mais 15 metros de altura e as portas não são mais duplas e altas.
Foto: DivulgaçãoPeças diferenciadas dão um toque especial ao ambienteEle explica que, cada vez mais, prevalece o estilo contemporâneo nos ambientes construídos, embora o requinte clássico não tenha sido desbancado. Para que tudo isto se encaixe e fique perfeito, o uso de materiais nobres ajuda muito. Também na lista de indicações estão as cores adequadas e peças diferenciadas na decoração, como tapetes, lustres e móveis.
Para equilibrar os dois estilos num mesmo ambiente, não há regras rígidas ou fixas, porém é preciso uma boa dose de bom gosto e muito conhecimento sobre o assunto. É ver e sentir, ensina o arquiteto. Isso pode ter um resultado grandioso, mas também pode acabar em erros se a pessoa que for decorar não tiver preparo, bagagem.
Para Rodolfo Doubek, o know-how é tão importante que, somente nos últimos 15 anos, ele começou a exercitar o mix de estilos, o que já é uma antiga tendência internacional da decoração. Foi uma questão de sedimentação da minha carreira, explica.
Para os iniciantes ou leigos no assunto, ele sugere precaução. É arriscado simplesmente misturar estilos. Algumas vezes você acaba matando uma boa peça por causa da mistura, avisa o arquiteto. Ele diz que peças valiosas e de bom gosto podem não funcionar no conjunto, ficando escondidas. É preciso se basear em proporções e harmonia de cores.
A prática, entretanto, se tornou tão frequente que hoje Doubek não consegue mais elaborar um ambiente exclusivamente contemporâneo ou clássico. O equilíbrio é necessário, diz. Ele acha comum e saudável a inclusão de peças antigas na decoração moderna e conta que, cada vez mais, seus clientes pedem a utilização desses recursos, para tornar as casas e apartamentos mais aconchegantes, mais personalizados e bonitos.
Não é possível que a pessoa não tenha nenhum objeto querido para incluir na decoração. Sempre haverá um lugar para este objeto, diz Doubek. Ele cita o exemplo de um ambiente recente que decorou. No living de um apartamento de cobertura, Doubek uniu móveis antigos, como poltronas e mesas do século passado, ao estilo contemporâneo. Foi um sucesso!
Outra saída que o arquiteto adora usar para tornar um ambiente equilibrado e chiquérrimo são fotos antigas, de família, espalhadas entre os móveis na forma de porta-retratos ou emolduradas nas paredes. A decoração ganha um ar íntimo, próprio, quase exclusivo. Aquelas fotos tão antigas que quando eram tiradas saía fumaça do flash, diz Doubek. Elas são maravilhosas.


