Há 20 anos, o mercado profetizava que produtos e serviços de baixa qualidade estavam fadados ao desaparecimento. No futuro, o provável fator de seleção empresarial será a responsabilidade social. Segundo Paulo Itacarambi, diretor do Instituto Ethos, a degradação física e moral que observamos impedirá o desenvolvimento da sociedade. ''A sobrevivência das organizações comerciais exigirá a gestão sustentável do negócio, critérios de cidadania e respeito aos valores humanos como, por exemplo, a solidariedade'', frisou.
Para o Instituto Ethos, responsabilidade social é reduzir os impactos negativos de determinada atividade e, paralelamente, fomentar seus aspectos positivos. Evitar o desperdício de material, reciclar as sobras, aproveitar a água pluvial e otimizar a energia elétrica são iniciativas que traduzem este conceito na construção civil.
Na opinião de Itacarambi, uma empresa que investe na educação, saúde, cultura e meio ambiente da comunidade melhora sua imagem. No entanto, será socialmente responsável quando garantir - também - boas condições de trabalho a seus funcionários, cumprir a legislação, ser justa com os fornecedores, honesta com os clientes e ética com os concorrentes.
O interesse pelo outro numa sociedade capitalista, que - infelizmente - alimenta o individualismo, está conquistando a admiração pública. Um dos reflexos deste comportamento é a preferência demonstrada pelo consumidor por empresas comprometidas com a responsabilidade social. ''Compartilhar os lucros e os problemas com o próximo será o caminho das empresas'', afirma Itacarambi, ao anunciar a criação do Conselho Brasileiro da Construção Sustentável, previsto para entrar em atividade a partir de abril.
Exemplos - Em Londrina, as grandes construtoras estão empenhadas em seguir essa tendência. Na Quadra, por exemplo, cerca de 24 operários concluíram o ensino fundamental nos canteiros de obras com apoio do programa de Educação para Jovens e Adultos (EJA). Ano passado, o grupo recebeu informações sobre alongamento, correção postural, higiene dentária, doenças cardíacas, consequências do fumo e bebida, transmitidas por estagiários de fisioterapia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), médicos, enfermeiras e membros do Alcoólicos Anônimos (AA).
''O retorno foi o maior engajamento entre os funcionários e a empresa, além da melhoria na qualidade dos produtos'', disse Maria Lúcia Carrara Pires, coordenadora do Projeto Quadra para uma vida melhor.
Já a Plaenge, em conjunto com os funcionários, adotou o antigo Albergue Noturno, hoje conhecido como Lar das Vovozinhas e Vovozinhos, na Vila Nova (área central). Além da reforma, contribuem com alimentos, remédios e utensílios arrecadados em campanhas e gincanas anuais. Em 2007, pretendem inaugurar uma loja de móveis reformados, dentro da própria entidade. Os lucros serão revertidos para os idosos. Nos últimos anos, a construtora investiu também no meio ambiente, incentivando o plantio de mudas ao redor do Lago Igapó 3, a separação de materiais recicláveis nas obras e a otimização dos recursos naturais. ''Nossa recompensa é o bem-estar conquistado dentro e fora da empresa'', afirmou a gerente regional Célia Catussi.
A A.Yoshii, em parceria com o Sesi, oferece aulas dos ensinos fundamental e médio aos operários; além de incentivar a graduação, pós-graduação e cursos de aperfeiçoamento profissional. Paralelamente, a empresa desenvolve um programa de educação para a saúde por meio de palestras sobre drogas, DST/Aids, hipertensão, estresse, ergonomia, etc.
''Estamos planejando ações preventivas sobre os riscos e impactos ambientais minimizados com a reciclagem e economia de matérias-primas, água e energia elétrica. Isso complementará a política de destinação adequada aos resíduos e redução dos ruídos causados pelas máquinas'', disse o gerente de Recursos Humanos, Aparecido Siqueira.
Há cinco meses, a Vectra mantém um coral infantil em conjunto com o hotel Crystal. Noventa e duas crianças, de 5 a 13 anos de idade, participam da atividade uma vez por semana, com direito a regente, pianista e lanche. ''Ficamos satisfeitos ao saber que, nesse período, elas demonstraram mais interesse pelos estudos, mais disciplina e responsabilidade'', comemora Roberta Costa Alves Nunes, gerente administrativa da empresa. Paralelamente, realiza passeios ecológicos no fundo de vale do loteamento Columbia D (zona norte), monitorado por membros da ONG MAE e transforma sobras de materiais em novos produtos utilizados em suas obras.


Serviço:

- Mais informações sobre o assunto podem ser obtidas no site do Instituto Ethos: www.ethos.org.br ou pelo e-mail: [email protected]

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