Resíduos formam madeira do futuro
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de maio de 2000
Ednelson Alves De Brasília Especial para a Folha 
Num mundo em que a palavra de ordem é preservar, toda descoberta que diminui os danos em relação ao meio ambiente é bem vinda. Ainda mais se o novo produto reciclável for substituto da madeira, matéria-prima escassa que tem sido sinônimo de devastação de florestas.
Através de uma nova tecnologia já é possível produzir madeira sintética. A mistura de resíduos de madeira, plástico, palha de arroz e fibra de coco formam o composto que está sendo chamado de madeira do futuro. Quem trabalha nessa pesquisa é o engenheiro florestal do Ibama-Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis, Divino Teixeira. Ele fez doutorado nos Estados, na Universidade de Idaho, e retornou de lá com o desafio de produzir a madeira de plástico.
Por conhecer e acreditar no avanço que a nova matéria-prima irá proporcionar para o setor da construção civil e também para a indústria moveleira, o engenheiro busca parcerias para que a madeira sintética seja produzida em grande escala no Brasil. Além do apelo ecológico, já que grande parte da matéria-prima pode ser encontrado nos lixões, o material sintético tem sido empregado com bons resultados na fabricação de forros, formas de construção civil, casas pré-fabricadas, guard-rails de estradas, assoalhos, cercas, decks, entre outros produtos. No setor do mobiliário, a vantagem da madeira plástica é verificada principalmente no uso externo.
Ao contrário da madeira comum, ela não absorve umidade, sendo ideal para piscinas e jardins. Uma outra vantagem é que o produto é imune a ação do cupim.
Por enquanto, uma única empresa está produzindo a madeira sintética. É a Reciplast, de São Paulo (11/456-1911), que produz 450 toneladas/mês. A primeira preocupação do empresário Valderino Felício, da Reciplast, foi batizar a madeira reciclável de Sintal. Otimista, Felício prevê que a Sintal poderá até mesmo disputar o mercado com madeiras nobres. Principalmente porque pode ser pintada, encerada, patinada e azulejada.


