Residencial nas alturas
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de maio de 2003
Adriana Savicki<br> Editoria Local 
Começou a ser construído semana passada o que será o maior prédio de Londrina. Em um projeto arrojado para os padrões locais, o Torre de Málaga terá depois de pronto cerca de 120 metros de altura e 34 andares, sendo o primeiro residencial a ultrapassar a marca dos 30 andares. Se fossem utilizadas as medidas padrão para altura de pé direito, o empreendimento chegaria aos 40 andares.
O empreendimento, tocado pela construtora Galmo na Gleba Palhano, exigiu uma logística inédita na Cidade. A construção das fundações cujos pilares precisam aguentar até 3 mil toneladas, por exemplo, usa equipamento importado da Alemanha para perfurar o solo em até 25 metros. O dobro do necessário para construção de um edifício convencional de até 10 andares.
Segundo o engenheiro Fernão Galindo, além da empresa contratada, apenas duas construtoras paulistas detém a tecnologia. ''Soluções usuais não servem para uma construção desse porte'', comenta.
Tanto investimento - a construtora não divulgou números - é direcionado a um público seleto. Os apartamentos de alto padrão, um por andar, têm 650 m2 e quatro suítes.
O gigantismo do prédio é uma aposta da construtora para agregar benefícios aos futuros moradores e melhorar seu produto. ''Os prédios de alto padrão têm sofrido desvalorização pelos altos custos de manutenção que eles trazem. Prédios com 15, 20 andares têm condomínio muito alto'', acredita o engenheiro. Com 34 condôminos, os custos seriam reduzidos, argumenta a construtora.
A altura do edifício, com vista para o Lago Igapó, é outro atrativo. Diferencial ou não, quase todos as unidades já foram vendidas, a começar pelas mais altas e caras. Os cinco apartamentos restantes estão abaixo do sexto andar.
O empreendimento da Galmo reforça a valorização da Gleba Palhano e adjacências do Lago Igapó. É visível a crescente implantação de residenciais de luxo na área. Apesar de não ter dados oficiais, a diretoria de aprovação de projetos da Secretaria de Obras de Londrina, confirma que a região hoje tem a maior concentração de projetos de edíficios.
A proximidade com o Lago Igapó - um dos maiores cartões-postais da cidade - é a principal causa da concentração, também auxiliada pela lei de zoneamento de Londrina que permite, naquela área, a construção de prédios com maior número de andares, proibidos em outras regiões. A disponibilidade de terrenos também auxiliou o boom.
O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil de Londrina (Sinduscon), José Roberto Hoffmann, confirma a tese. ''É uma área valorizada porque reúne acesso fácil ao centro da cidade e está no eixo de desenvolvimento da região sul'', afirma referindo-se ao shopping center, universidades e condomínios fechados que são a marca daquela região.


