Repúblicas têm inadimplência quase zero
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domingo, 26 de dezembro de 2004
Erika Zanon<Br>Reportagem Local 
Deixar a casa dos pais depois de aprovado em algum vestibular não é nada fácil para nenhum estudante, principalmente quando ele tem que enfrentar os ''problemas reais'' como procurar um bom lugar para morar. O primeiro passo é vasculhar os classificados ou procurar por um imóvel em imobiliárias, que por sua vez não facilitam muito as coisas. Elas buscam se precaver de todas as formas, fazendo do contrato de locação a segurança para não ter problemas futuros.
O proprietário da imobiliária londrinense JL Assis, José Luiz de Assis, comentou que os contratos firmados com estudantes ou pessoas que vão formar repúblicas são bastante comuns. Assis acrescentou que a imobiliária não costuma ter problemas com esses contratos, pois procura se resguardar de várias formas. ''O nome de todas as pessoas que vão morar na casa devem constar no documento e em alguns casos exigimos até dois fiadores'', exemplificou.
Segundo Assis, como geralmente os estudantes migram de outras cidades, os responsáveis pelo contrato - no caso os fiadores - deve comparecer na imobiliária para assinar o documento. ''Se a distância entre as cidades for muito grande, a gente até manda o contrato por Sedex, mas antes puxamos a ficha do novo locatário pelo Serasa'', esclareceu o imobiliarista.
O fiador, segundo Assis, funciona como um respaldo para a imobiliária no caso do inquilino causar algum problema, geralmente relacionado à conservação do imóvel ou até mesmo ao uso de drogas. Muitas vezes, contou, na hora da desocupação, o imóvel está em péssimas condições. ''Por isso que a empresa precisa de um fiador como prevenção da possível irresponsabilidade do inquilino e não aceitar arcar com as despesas'', pontuou.
Quanto ao uso de drogas o problema aumenta um pouco. Conforme disse Assis, as reclamações chegam na maioria das vezes através dos vizinhos ou do próprio síndico do condomínio. ''Tomamos algumas providências. Ligamos para os pais, mandamos carta de advertência e em alguns casos até aplicamos multa por meio do condomínio'', destacou.
Para Júnior Machado, gerente de locação da imobiliária Raul Fulgêncio, um ponto positivo dos contratos firmados com estudantes está no fato da inadimplência ser quase zero. ''O poder aquisitivo dessas pessoas geralmente é mais alto, frequentemente são os pais que estão arcando com todas as despesas e eles fazem de tudo para pagar as contas'', avaliou Machado.
Mesmo assim, para evitar problemas futuros com esse tipo de contrato, a imobiliária entra em acordo com os pais dos estudantes, os quais preferem que todos os moradores dos imóveis estejam ''amarrados'' com o documento. Uma das possibilidades, explicou Machado é colocar todos os inquilinos como locatários e escolher o pai de um deles para ser o fiador. ''Dessa forma todos têm que cumprir com suas responsabilidades'', afirmou o gerente.
Ele informou que se durante o contrato, algum dos locatários desistir do curso ou se mudar sem nenhum motivo em especial, os moradores têm que avisar a imobiliária com antecedência para que seja providenciado as devidas alterações contratuais.
Na imobiliária Schietti & Sapia, segundo informou o auxiliar administrativo Eliezer Machado de Almeida, não existe um contrato diferenciado para as locações que envolvem estudantes. Ele disse que as normas desses documentos são as mesmas que regulamentam um contrato normal.
De acordo com Almeida, a imobiliária tem bastante imóveis alugados para pessoas que formam repúblicas. Ele admitiu que muitas vezes esses locatários causam problemas. ''Não são problemas contratuais, mas sim relacionados com a bagunça, o barulho e desavenças com a vizinhança'', assinalou.


