Relógios marcam o tempo de viver
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de setembro de 2000
Célia Baroni 
O designer israelense, naturalizado brasileiro, Moshe Gorban não esconde seu fascínio pelo tempo. E levou sua filosofia de vida para seu trabalho que hoje reúne uma gama de 80 produtos diferentes. Toda esta paixão pelo tempo demorou tempo para se concretizar e acabou tomando a forma de relógios.
Não são relógios comuns que marcam as horas e apresentam mil e uma utilidades e facilidades tecnológicas. Mas peças que marcam o seu tempo. Uma lembrança contínua de que é preciso vivenciar, não apenas viver.
Os relógios de Moshe sugerem muito mais que o passar dos segundos. Não falam do tempo que passa, mas daquele que se perde quando não se vive cada momento. Eles dizem que o tempo pode ser segurado, se for melhor aproveitado.
Por isto, nenhum dos cinco modelos criados até agora por Gorban tem números. O tempo é pura magia. Minutos podem durar horas; uma eternidade. Horas podem caber em segundos, argumenta. Segundo ele, as pessoas apaixonadas pela vida dão um significado diferente ao tempo. E como resultado, colhem uma vida produtiva e longa.
Não é preciso ser um Picasso, um Michelangelo ou um grande pensador para marcar o tempo. Gorban diz que cada pessoa vive o seu mundo. Para uns o mundo é o universo. Outras vivem em um mundo formado pela família. Segundo a filosofia de Moshe, todos vivem em uma bolha umas maiores outras menores em alcance. O importante é sentir-se feliz dentro dela.
Estes pensamentos estão nas formas de seus relógios, marcados no círculo que não tem começo nem fim; uma eterna continuidade. Há ainda a falta de limites expressa nas formas caracol e nos ponteiros que ultrapassam o círculo do relógio.
Mas a liberdade de fazer do tempo do seu tempo o que quiser está enfatizada no controle dos ponteiros. Eles podem ser atrasados, propondo uma volta ao passado através das lembranças e o sentir-se sempre jovem. E se a idéia é avançar no tempo, vislumbrar o futuro, sonhar ..., porque não adiantar as horas, os dias para voltar ao presente cheio de esperanças e expectativas?. Afinal, as horas são apenas uma referência.


